Economia & PolíticaRelevância BR: 9/10

Estudo da Serasa Experian alerta para risco de R$ 33 bilhões na safra de soja em 2026/27

27 de outubro de 2026
Estudo da Serasa Experian alerta para risco de R$ 33 bilhões na safra de soja em 2026/27

Destaques

  • •Um estudo da Serasa Experian projeta que uma quebra na safra brasileira de soja em 2026/27, sob um cenário de El Niño forte, pode gerar um prejuízo de R$ 33 bilhões.
  • •A produção nacional de soja pode cair de 181,2 milhões para 163,6 milhões de toneladas, uma retração de 9,7%, com Mato Grosso e Goiás concentrando quase 80% do risco.
  • •O impacto financeiro sobre produtores rurais endividados e a necessidade de gestão de riscos climáticos e financeiros são pontos de atenção para o setor.

Uma eventual quebra na safra brasileira de soja em 2026/27, sob um cenário de El Niño forte, pode colocar R$ 33 bilhões em risco e ampliar a pressão financeira sobre os produtores rurais em 2027. O alerta é do primeiro estudo da Serasa Experian dedicado ao dimensionamento dos impactos do clima sobre a produção agrícola, divulgado nesta terça-feira (27).

Sob um cenário de El Niño forte, a colheita nacional pode cair de 181,2 milhões para 163,6 milhões de toneladas, uma retração potencial de 9,7%. O risco climático chega em um momento de preocupação com o endividamento de parte do setor agropecuário. Uma redução na receita da colheita pode dificultar o pagamento de financiamentos, fornecedores e arrendamentos, sobretudo nas propriedades que já operam com elevado nível de alavancagem e pouca margem para renegociar compromissos.

O impacto financeiro e o endividamento do setor

Para Marcelo Pimenta, head de agronegócios da Serasa Experian, o impacto sobre a inadimplência dependerá da situação financeira de cada produtor e da região onde está instalada a lavoura. Propriedades mais expostas à quebra e com dívidas elevadas tendem a enfrentar maior pressão sobre o caixa.

O endividamento no crédito rural chega a R$ 205,46 bilhões, que representa 23,8% da carteira total de crédito do agro de R$ 864,24 bilhões, segundo dados do Banco Central de agosto de 2026. Em agosto de 2025, a carteira problemática no agro era de R$ 140,9 bilhões. No segundo trimestre de 2026, o agronegócio registrou 448 pedidos de recuperação judicial, de acordo com a Serasa Experian.

Pimenta destacou que a inadimplência corrente preocupa mais do que os pedidos de recuperação judicial, que representam uma etapa extrema da crise. "A inadimplência machuca mais do que a própria recuperação judicial", afirmou.

Metodologia e projeções da safra

O levantamento da Serasa Experian integra mais de 20 anos de mapeamento territorial, dados de produtividade da Conab e séries do Índice Oceânico do Niño (ONI), utilizado pela NOAA dos Estados Unidos. A metodologia compara o desempenho da safra 2023/24, marcada por um El Niño severo, com a temporada 2024/25, utilizada como referência de neutralidade climática.

A Serasa Experian estima que a área brasileira de soja avance de 49 milhões para 49,9 milhões de hectares. Mantida essa extensão, a produção chegaria a 181,2 milhões de toneladas em condições climáticas neutras. Sob um El Niño forte, o volume recuaria para 163,6 milhões de toneladas. "Uma lavoura maior não necessariamente significa uma safra melhor", afirmou Daniel de Oliveira, gerente de geoprocessamento da empresa.

A estimativa de R$ 33 bilhões foi calculada multiplicando-se a diferença potencial de 17,6 milhões de toneladas pelo valor médio de aproximadamente R$ 1,88 mil por tonelada. Os números do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicam que esse prejuízo equivale a aproximadamente 9,4% do Valor Bruto da Produção (VBP) da soja projetado em R$ 352,7 bilhões para setembro de 2026.

Concentração de risco e impactos regionais

A análise territorial revela que o impacto potencial do El Niño não será distribuído igualmente. Mato Grosso aparece com uma redução estimada de 9,7 milhões de toneladas, enquanto Goiás pode registrar um déficit de 4 milhões de toneladas. Juntos, os dois estados concentram quase 80% da diferença nacional projetada.

Em Mato Grosso, a principal preocupação passa a ser a regularidade das chuvas entre novembro e janeiro, período decisivo para o florescimento e o enchimento dos grãos. Em Goiás, áreas de sequeiro, especialmente no norte e no leste do estado, estão mais expostas à irregularidade hídrica. Minas Gerais também aparece entre as regiões vulneráveis, com redução potencial de 1,5 milhão de toneladas.

No Rio Grande do Sul, o modelo aponta possibilidade de aumento de 16 milhões para até 22 milhões de toneladas, um incremento de 5,5 milhões. Esse ganho, entretanto, não compensaria as perdas concentradas no Centro-Oeste. Além disso, o excesso de precipitações pode trazer problemas para as lavouras gaúchas.

Próximos passos e medidas de mitigação

Até o momento, cerca de 40% da área nacional de soja foi semeada. A Serasa Experian considera necessário acompanhar a evolução das chuvas e das lavouras nos próximos meses. O risco também pode alcançar a segunda safra de milho e o algodão, caso atrasos no plantio reduzam a janela de cultivo.

Entre as medidas de mitigação estão a escolha de cultivares mais tolerantes ao estresse hídrico, o escalonamento das datas de semeadura e investimentos em irrigação. Para a gestão financeira, o acompanhamento dos custos, do fluxo de caixa e do nível de endividamento também será fundamental. "A gente não pode controlar o clima, mas a gente pode utilizar os dados para entender melhor os riscos", afirmou Pimenta.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas

Estudo da Serasa Experian alerta para risco de R$ 33 bilhões na safra de soja em 2026/27 | AINewz | AINewz — Inteligência de Notícias