Estudo australiano sugere que um terço de bebês diagnosticados com alergia a amendoim não a possuem

Destaques
- •Pesquisa na Austrália indica que 35% dos bebês diagnosticados com alergia a amendoim não apresentaram reações em testes de provocação oral.
- •O estudo sugere que testes convencionais podem identificar sensibilização, não necessariamente alergia confirmada, e que bebês podem superar a condição.
- •Pesquisadores recomendam o teste de provocação oral como rotina para evitar tratamentos desnecessários, mesmo com risco de reações como anafilaxia.
Uma nova pesquisa conduzida na Austrália, publicada em novembro no periódico científico The Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice, sugere que cerca de um terço dos bebês diagnosticados com alergia a amendoim podem não ter a condição. O estudo avaliou um programa nacional de tratamento da alergia ao amendoim em dez hospitais pediátricos públicos, analisando dados de 1.275 bebês com menos de 18 meses de idade que receberam um diagnóstico inicial.
O diagnóstico convencional de alergia a amendoim geralmente combina o histórico de uma reação com testes cutâneos. No entanto, para confirmar a condição, os pesquisadores realizaram o teste de provocação oral em 778 bebês. Neste procedimento, as crianças ingeriram doses progressivamente maiores de proteína de amendoim sob monitoramento médico. Ao final do experimento, 271 bebês, o que representa aproximadamente 35% dos participantes do teste, não apresentaram nenhuma reação alérgica, indicando que o diagnóstico inicial pode ter sido incorreto.
Testes convencionais e o sistema imunológico em desenvolvimento
Os autores do estudo apontam que os testes alérgicos convencionais nem sempre refletem com precisão o estado alérgico de bebês, pois seus sistemas imunológicos ainda estão em desenvolvimento. Muitos exames podem identificar apenas uma sensibilização ao alimento, e não necessariamente uma alergia confirmada. Além disso, é possível que algumas crianças tenham superado a alergia entre o momento do diagnóstico inicial e a realização do teste de provocação oral, que ocorreu cerca de seis meses após a primeira reação relatada.
Imunoterapia e a importância do teste de provocação oral
Quase todos os bebês que apresentaram reações alérgicas durante o experimento foram submetidos à imunoterapia oral com amendoim, um tratamento que consiste no consumo de pequenas quantidades diárias do alimento para aumentar a tolerância. A quantidade inicial consumida na imunoterapia foi definida com base nos resultados do teste de provocação oral. Os resultados da imunoterapia foram positivos, com 97,5% dos bebês conseguindo iniciar o tratamento na dose definida.
Os pesquisadores defendem que o teste de provocação oral seja realizado antes da imunoterapia, pois pode evitar tratamentos desnecessários. Eles escreveram no estudo que, embora não seja rotineiramente feito antes da imunoterapia, o teste pode ser crucial. O procedimento, no entanto, deve ser realizado em ambiente controlado, pois durante o estudo, 61 bebês tiveram anafilaxia e necessitaram de adrenalina. Ainda assim, os autores sugerem que o teste de provocação oral seja considerado rotineiramente na avaliação da alergia a amendoim em bebês, independentemente da estratégia de tratamento.
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- Um terço dos bebês diagnosticados com alergia a amendoim pode não ter o problema · super.abril.com.br



