Estudantes franceses retomam bloqueios e pressionam governo por mais verbas e vagas

Destaques
- •Estudantes franceses voltaram a bloquear escolas e universidades após as férias, exigindo respostas mais rápidas do governo para problemas educacionais.
- •O governo anunciou um pacote de medidas com investimentos em professores e vagas, mas os prazos de implementação (a partir de 2027/2028) geram insatisfação.
- •Novos atos e adesão a greve nacional nesta semana buscam ampliar a pressão por mais recursos e mudanças estruturais no sistema de ensino.
Estudantes franceses retomaram os bloqueios de escolas e universidades após duas semanas de férias, em uma nova tentativa de pressionar o governo por mudanças na educação. As mobilizações foram registradas em diferentes cidades do país, incluindo Paris, Marselha, Toulouse, Rennes e Lyon. As organizações estudantis convocaram novos atos e anunciaram adesão à greve nacional prevista para quinta-feira (5).
A retomada das manifestações ocorre uma semana após o governo anunciar um pacote de medidas para atender às reivindicações. No entanto, os estudantes consideram as respostas insuficientes, principalmente diante dos problemas estruturais das escolas e universidades e dos prazos previstos para a implementação das mudanças. O movimento começou em setembro, após professores denunciarem a falta de profissionais, e se espalhou, ampliando a pauta para redução de alunos por sala, reformas, mais profissionais de saúde e assistência social, e mudanças na organização dos horários.
Principais reivindicações estudantis
No ensino superior, uma das principais exigências é o fim da plataforma Parcoursup, utilizada para organizar o ingresso nas universidades francesas. As organizações estudantis criticam os mecanismos de seleção, a falta de transparência nos critérios de admissão e a quantidade insuficiente de vagas. A mobilização também incorporou demandas relacionadas ao custo de vida, como ampliação das bolsas e da oferta de moradia estudantil.
Respostas do governo e insatisfação
O governo francês começou a apresentar respostas em outubro, com a mobilização de professores substitutos e a contratação de professores temporários. Em 26 de outubro, os ministros da Educação e do Ensino Superior anunciaram um pacote mais amplo, que inclui a criação de 500 postos adicionais de professores a partir de 2027, outros 500 profissionais de apoio, e a abertura de 15 mil vagas adicionais no ensino superior. O governo também prometeu substituir Parcoursup em 2028, limitar a 28 o número de alunos nas turmas do primeiro ano do lycée em estabelecimentos vulneráveis e disponibilizar € 4 bilhões em empréstimos para reformas de escolas.
Entretanto, as mudanças propostas pelo governo têm prazos de execução distintos, com parte delas dependendo do orçamento de 2027 e outras só a partir de 2028. É justamente nesse intervalo entre os anúncios e os resultados que se concentra parte da insatisfação estudantil, que afirma que os problemas diários exigem respostas mais rápidas. A intersindical que reúne entidades estudantis estima em € 10 bilhões os recursos necessários para atender às reivindicações, contrastando com os anúncios do governo.
Próximos passos da mobilização
Na volta às aulas, os estudantes retomaram as ações em diferentes regiões, com bloqueios em estabelecimentos de ensino médio e manifestações em escolas e instituições de ensino superior. Em Paris, organizações estudantis convocaram uma manifestação para esta terça-feira (3). A estratégia das organizações é ampliar a articulação com outros setores da sociedade, anunciando participação em uma jornada nacional de greve para quinta-feira (5), que também envolve trabalhadores do setor público e privado com reivindicações relacionadas ao poder de compra e à qualidade dos serviços públicos.



