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Eólica brasileira busca data centers para destravar investimentos e resolver cortes de geração

27 de outubro de 2026
Eólica brasileira busca data centers para destravar investimentos e resolver cortes de geração

Destaques

  • •Setor eólico brasileiro aposta na instalação de data centers para impulsionar investimentos e criar demanda, enquanto parques já existentes enfrentam restrições de produção.
  • •A Portaria Normativa nº 140 busca compensar perdas por cortes de geração entre setembro de 2023 e novembro de 2025, mas não resolve as causas físicas das restrições.
  • •O setor aguarda a expansão da infraestrutura de transmissão e o aumento do consumo para absorver o excedente de energia eólica, além de discutir a distribuição dos impactos dos cortes.

O setor eólico brasileiro está em busca de uma solução para um paradoxo: enquanto parques já instalados sofrem com restrições na produção de energia (conhecidas como curtailment), a indústria aposta na chegada de data centers para impulsionar novos investimentos e destravar a demanda. O desafio foi tema central na 17ª edição do Brazil Windpower, em São Paulo, que evidenciou a necessidade de coordenar a expansão de usinas, redes de transmissão e consumo para acomodar novos empreendimentos em um sistema que já limita a geração.

Elbia Gannoum, presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), destacou que o curtailment, ou os cortes de geração, continua sem uma solução operacional definitiva, apesar dos avanços na regulamentação de compensações. A Portaria Normativa nº 140, publicada em julho pelo Ministério de Minas e Energia, disciplina a compensação por cortes ocorridos entre setembro de 2023 e novembro de 2025, classificados como decorrentes de confiabilidade elétrica ou indisponibilidade externa. No entanto, a adesão a essa portaria exige a renúncia a disputas sobre compensações por restrições anteriores.

O que causa as restrições de geração?

As perdas financeiras decorrentes dos cortes são tratadas, mas as condições físicas que levam a essas restrições permanecem em aberto. Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), os cortes são uma medida técnica necessária para garantir a segurança do sistema quando a geração disponível excede a capacidade de aproveitamento. A produção eólica e solar, por sua natureza intermitente, nem sempre coincide com os picos de consumo.

O diagnóstico do ONS aponta que mesmo com a eliminação de restrições de transmissão, os cortes podem persistir quando a oferta de energia supera a demanda em determinados horários. A expansão das redes de transmissão é uma parte da solução, mas o equilíbrio entre produção e consumo demanda outras abordagens.

Data centers como solução para o excedente

É nesse contexto que os data centers ganham destaque na agenda da indústria eólica. Elbia Gannoum defendeu a atenção à infraestrutura de transmissão necessária para receber essas novas cargas de consumo e aproveitar o interesse de grandes consumidores pelo Brasil. A retomada da indústria eólica nacional também foi apontada como prioridade.

João Galamba, assessor sênior do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), sugeriu que a instalação de data centers seja acompanhada de nova geração limpa. Ele ressaltou que o principal desafio brasileiro reside na capacidade de entrega dessa energia, o que depende da infraestrutura de redes e do enfrentamento do curtailment. O aumento do consumo por parte dos data centers pode ajudar a absorver os excedentes de energia eólica, mas o impacto real sobre as restrições existentes dependerá da forma como os projetos serão implementados e da simultaneidade entre a produção e o consumo.

Discussões regulatórias e metas internacionais

A distribuição dos impactos dos cortes de geração também está em discussão regulatória. Em outubro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou regras para organizar a ordem das restrições e compartilhar seus efeitos entre diferentes fontes. A aplicação definitiva está prevista para 18 meses após a publicação da resolução, com uma etapa anterior de simulação.

No cenário internacional, Elbia mencionou a meta de elevar a eletrificação do consumo mundial de energia a 35% até 2035, parte da campanha Electrify Now. Essa iniciativa busca ampliar o uso de eletricidade em detrimento de combustíveis fósseis em transportes e processos industriais, dependendo de decisões governamentais e empresariais.

Fabricantes como a Goldwind demonstram interesse no mercado brasileiro com investimentos em capacidade industrial, como a aquisição da fábrica da GE em Camaçari, na Bahia. A produção local facilita o acesso dos clientes ao financiamento de longo prazo do BNDES para a compra de equipamentos, fortalecendo a cadeia nacional.

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