Engenheiros do MIT criam vigas para construção com plástico reciclado

Destaques
- •Projeto desenvolvido no MIT utiliza garrafas plásticas recicladas para criar vigas duráveis para construção civil.
- •A tecnologia, que emprega impressão 3D e robótica, elimina a necessidade de água no processo de reciclagem.
- •A empresa pretende licenciar a tecnologia e fornecer máquinas para produção local em todo o mundo.
Uma dupla de engenheiros transformou um projeto desenvolvido no MIT (Massachusetts Institute of Technology) em uma solução para a construção civil: a criação de vigas e outras estruturas a partir de garrafas plásticas recicladas. A iniciativa, liderada pela empresa Atlas Building Composites, visa combater o acúmulo de resíduos plásticos e oferecer uma alternativa sustentável aos métodos tradicionais de construção.
O projeto teve origem no MIT HAUS, um núcleo de pesquisa focado em arquitetura sustentável. A missão da empresa, segundo o cofundador A.J. Perez, é converter resíduos plásticos poluentes em compostos duráveis para construção, evitando as atividades "sujas" como a derrubada de árvores e a mineração, e reaproveitando o plástico que polui oceanos e aterros.
Como as vigas plásticas são feitas?
O processo começa com a trituração de objetos plásticos descartáveis, como garrafas de água. Esses fragmentos são inseridos no sistema Atlas Factory Stack, uma plataforma de manufatura robótica. Lá, o material é derretido e misturado com fibra de vidro, resultando em uma substância mais firme que a madeira.
Essa substância é então utilizada por uma impressora 3D para moldar as peças. As vigas e treliças produzidas podem ser usadas para sustentar pisos, paredes, tetos e pontes, oferecendo uma alternativa robusta e ecológica aos materiais convencionais.
Sustentabilidade e aplicações práticas
As vigas plásticas da Atlas já foram aplicadas em diversas estruturas, incluindo galpões, celeiros, varandas e cais. Uma colaboração recente envolveu o fornecimento de treliças para a construção de uma ponte pelo Corpo de Engenharia do Exército dos Estados Unidos em um pântano de Massachusetts.
Matt Pouliot, outro fundador e ex-senador do estado de Maine, destaca que este é um dos usos mais sustentáveis para a reciclagem de produtos petroquímicos. Ao integrar o material a uma construção, ele cumpre seu papel por muito tempo, evitando a necessidade de reciclagem frequente e a degradação do material.
Expansão e democratização da tecnologia
A Atlas Building Composites não pretende apenas aperfeiçoar seu material e processo produtivo, mas também licenciar sua tecnologia e fornecer máquinas para empresas em todo o mundo. A ideia é que diversos países possam utilizar peças produtivas da Atlas para criar empregos locais em reciclagem, fabricação e construção, estimulando suas economias com matéria-prima local.
Um dos grandes diferenciais do processo é a eliminação da demanda de água na reciclagem. Segundo A.J. Perez, essa característica é crucial para democratizar a reciclagem, permitindo que países com acesso limitado à água também possam processar seu plástico. Isso também simplifica a burocracia relacionada à abertura de novos estabelecimentos de reciclagem, que frequentemente envolvem agências de controle hídrico.



