EMS lança Ozivy e disputa mercado de semaglutida com Ozempic e Mounjaro

Destaques
- •A farmacêutica brasileira EMS lançou o Ozivy, sua versão da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, buscando competir no mercado de medicamentos para diabetes tipo 2.
- •A empresa investiu mais de R$ 1,5 bilhão em sua plataforma de peptídeos e obteve registro na Anvisa em maio de 2026, após a expiração da patente da semaglutida em março do mesmo ano.
- •A EMS também está em processo de aquisição da Medley, da Sanofi, e busca fortalecer sua posição frente a concorrentes globais e nacionais no crescente mercado de GLP-1.
A farmacêutica brasileira EMS lançou o Ozivy, sua versão da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, em maio de 2026, logo após o fim da patente da Pfizer. O medicamento, indicado para diabetes tipo 2, foi registrado como um novo medicamento, análogo sintético de um produto biológico, e já aparece entre os produtos de maior venda em valor na classe, segundo levantamento da IQVIA.
A estratégia da EMS de antecipar lançamentos, como ocorreu em 2010 com o genérico do Viagra, é uma marca da família Sanchez. A empresa investiu mais de R$ 1,5 bilhão na plataforma de peptídeos, utilizando síntese química para produzir a semaglutida. Em 2024, Carlos Sanchez, presidente do conselho e controlador da empresa, informou ter tomado R$ 500 milhões em crédito do BNDES para pesquisa.
Disputa acirrada no mercado de GLP-1
O mercado de agonistas de GLP-1, classe que inclui Ozempic e Mounjaro, tem visto um crescimento expressivo. Nos 12 meses encerrados em julho de 2026, essa classe saltou do quarto para o primeiro lugar em vendas em valor no varejo farmacêutico. A Lilly, fabricante do Mounjaro, ultrapassou a EMS em vendas, ficando em segundo lugar atrás da Eurofarma.
A EMS busca fortalecer sua posição com o lançamento do Ozivy e também através da aquisição da Medley, da francesa Sanofi, operação que depende da aprovação do Cade. A empresa tentou, em outubro de 2024, uma combinação com a Hypera, mas a proposta foi rejeitada. Curiosamente, a Hypera lançou em setembro de 2026 o Semavy, outra semaglutida, fabricada pela Sun Pharma, que também participou da disputa pela Medley.
Governança e sucessão familiar
A EMS, reunida sob o Grupo EMS desde 2026, é controlada por Carlos Sanchez, que detém 75% do capital. A administração é dividida com a geração seguinte da família: os sobrinhos Marcus e Leonardo Sanchez, cada um com 12,5%. Marcus Sanchez, vice-presidente de marketing e vendas, reconhece que a decisão sobre o próximo presidente cabe ao tio.
As decisões estratégicas passam por três primos: Marcus (comercial), Gabriel (pesquisa, operações e novos negócios) e Emiliano (finanças, gente e gestão). Na ausência de um CEO, eles buscam decidir por consenso, com Carlos Sanchez tendo a palavra final em caso de divergência. Marcus Sanchez vê uma tendência para que Gabriel ou Emiliano assumam a presidência, mas não descarta um profissional de fora.
A origem dos negócios remonta a uma farmácia aberta pelo avô, Emiliano Sanchez, em Santo André (SP), em 1950. A fabricação de medicamentos começou em 1964. A Lei dos Genéricos, de 1999, impulsionou a expansão da empresa, que se tornou uma das primeiras a vender medicamentos dessa categoria em 2000.



