Elon Musk limita Starlink militar da Ucrânia; EUA negam autoria

Destaques
- •Elon Musk ordenou a redução da velocidade do Starlink militar usado pela Ucrânia, afetando operações com drones.
- •Autoridades americanas, incluindo o Secretário de Estado Marco Rubio, negam conhecimento prévio da decisão.
- •A Ucrânia aguarda esclarecimentos da SpaceX e do Pentágono sobre o restabelecimento do serviço e suas condições de uso.
Elon Musk, proprietário da SpaceX, ordenou a redução da velocidade de uma versão militar do serviço de internet via satélite Starlink utilizada pela Ucrânia. A medida, que começou em 14 de outubro, prejudicou operações ucranianas com drones de ataque e interceptação, gerando preocupação em Kiev e confusão em Washington. A decisão ampliou as tensões entre os governos americano e ucraniano e levantou dúvidas sobre o envolvimento oficial dos EUA na restrição.
A limitação na conexão via satélite comprometeu o uso de drones em ataques contra posições russas e na interceptação de ameaças aéreas. Autoridades ucranianas afirmaram que a mudança permitiu que mísseis russos escapassem de suas defesas. A restrição ocorreu em meio a críticas de Musk e do ex-presidente americano Donald Trump ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sobre ataques a refinarias russas de diesel. Trump atribuiu às ofensivas a alta dos preços da energia, embora analistas apontem a guerra no Irã como fator de maior impacto.
Divergências sobre a autoria da decisão
A falta de clareza sobre quem autorizou a mudança levou a Casa Branca a investigar informalmente o caso. Representantes da SpaceX também buscaram alinhar o entendimento com o governo americano. Musk afirmou que quaisquer limites de velocidade ou uso são decididos pelos militares dos EUA e, em última instância, pelo presidente. No entanto, o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou que o governo tivesse solicitado a medida, declarando que não houve conhecimento prévio. Ele acrescentou que as decisões sobre o acesso dos ucranianos ao Starlink cabem a Musk, e não à Casa Branca, pois se trata de um contrato comercial privado.
Donald Trump declarou não saber quem havia determinado a desaceleração e que gostaria de descobrir. O Secretário de Defesa, Pete Hegseth, também disse que o Pentágono não havia emitido ordens para retirar recursos da Ucrânia, mas ressaltou que a SpaceX pode decidir sobre seus próprios termos de serviço.
Impacto operacional e próximos passos
Os terminais de satélite da Starlink são cruciais para a navegação e controle de drones militares na linha de frente. O especialista militar Michael Kofman informou que as limitações continuavam prejudicando as operações ucranianas, com a conexão disponível abaixo de 130 km/h. A Ucrânia aguarda respostas oficiais do Pentágono e da SpaceX para entender o que aconteceu e se o serviço será restabelecido. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já havia declarado que tropas ucranianas estavam sendo prejudicadas e que nenhuma explicação foi fornecida pelo lado americano. Ele afirmou ter conversado com Rubio sobre o assunto e pediu o restabelecimento dos serviços.
O impasse evidencia como o acesso a uma rede privada de comunicação pode afetar operações militares. Para a Ucrânia, esclarecer as condições de uso do Starlink é essencial para avaliar a capacidade de manter suas ações na linha de frente. Elon Musk é dono de aproximadamente 2/3 dos satélites artificiais em órbita.
Matérias originais
- Musk ordenou restrição do Starlink usado pela Ucrânia, diz jornal · olhardigital.com.br
- EUA não sabiam de problemas da Ucrânia com sistemas de Musk, diz Rubio · poder360.com.br



