Eleições: 110 seções eleitorais não registraram votos para um dos candidatos

Destaques
- •Levantamento do g1 aponta que 110 seções eleitorais não tiveram votos para um dos candidatos no segundo turno
- •A maioria das seções sem votos para Flávio Bolsonaro está em comunidades indígenas e ribeirinhas no Norte e Nordeste
- •Análise de renda revela que Lula melhorou desempenho em todas as faixas de renda no segundo turno
Um levantamento do g1, com base nos boletins de urna do TSE, revelou que 110 seções eleitorais em todo o Brasil não registraram nenhum voto para um dos dois candidatos no segundo turno da eleição presidencial. A situação, que não indica irregularidades por si só, representa 0,02% das mais de 490 mil seções eleitorais do país.
Do total, em 106 seções, distribuídas por 67 municípios, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) não recebeu votos. Nessas mesmas seções, o candidato Lula (PT) somou 14.860 votos. Já Lula não teve votos em quatro seções, localizadas em Chaves (PA), Jacareacanga (PA), Arroio do Padre (RS) e Cândido Godói (RS), onde Flávio Bolsonaro recebeu 296 votos.
Perfil das seções com zero voto para um candidato
As seções eleitorais em que Flávio Bolsonaro não recebeu votos estão predominantemente localizadas em aldeias indígenas, comunidades quilombolas e vilas ribeirinhas, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. O município de Uiramutã (RR), com 96,6% da população autodeclarada indígena, registrou o maior número de seções nessa situação, com sete. Atalaia do Norte e São Gabriel da Cachoeira, ambos no Amazonas, registraram cinco seções cada.
Em geral, são seções com poucos eleitores e localizadas em áreas de difícil acesso. Mesmo em capitais e grandes centros urbanos, foram identificadas seções com um número pequeno de votos válidos e situadas em localidades mais afastadas.
Análise de renda e votação
Um cruzamento dos resultados eleitorais com dados do Censo 2022 do IBGE mostra uma relação entre a renda da região e o voto. Em geral, quanto menor a renda, maior foi a votação de Lula. No entanto, o candidato reeleito melhorou seu desempenho em todas as faixas de renda no segundo turno, impulsionado principalmente por eleitores de renda intermediária.
Nas regiões com renda média mensal entre R$ 2.590 e R$ 2.920, onde Flávio Bolsonaro havia sido o mais votado no primeiro turno, Lula avançou de 44,4% para 51,6% dos votos válidos no segundo turno. Nas áreas mais ricas, acima de R$ 7.130, a votação de Lula subiu de 37,6% para 44,3%.
Variações regionais e de renda
O ponto em que Lula ultrapassa Flávio Bolsonaro varia entre os estados. Nos estados do Nordeste, Lula liderou em todas as faixas de renda no segundo turno. Em contrapartida, no Sul e Centro-Oeste, Lula só liderou na faixa de renda mais baixa.
Em São Paulo e Minas Gerais, a fronteira nacional foi reproduzida, com Lula liderando até R$ 2.920 e perdendo a partir daí. O Rio de Janeiro apresentou uma inversão, com Lula liderando apenas nas áreas mais ricas, com 53,1% dos votos.
O levantamento do g1 analisou os Boletins de Urna (BU) de todas as seções eleitorais. O BU é um documento público impresso pela urna eletrônica após o encerramento da votação, reunindo dados como total de eleitores, votos brancos, nulos e a quantidade de votos por candidato.


