Eleição causa perda de R$ 734 bilhões na B3 e afeta bancos e varejo

Destaques
- •O mercado reavaliou o risco Brasil após o resultado eleitoral, com forte queda no valor de mercado das empresas listadas na B3.
- •Bancos e empresas ligadas ao consumo doméstico foram os mais afetados, enquanto exportadoras encontraram alguma proteção na alta do dólar.
- •A recuperação do mercado dependerá de sinais sobre a política fiscal e a condução econômica do novo governo.
A eleição presidencial provocou uma forte reação no mercado financeiro brasileiro. Na segunda-feira, 26 de outubro, o valor de mercado das companhias listadas na B3 encolheu R$ 734 bilhões, uma perda de 12,91% em relação ao fechamento de sexta-feira. O Ibovespa recuou 13,88%, a maior queda desde março de 2020, e o dólar comercial avançou 8,21%, para R$ 5,40. O movimento refletiu uma revisão abrupta das expectativas dos investidores sobre o risco de investir no Brasil, com maior exigência de compensação e dúvidas sobre a trajetória das contas públicas e os juros de longo prazo.
Bancos e varejo lideram perdas setoriais
O setor bancário foi o mais atingido, com 18 instituições perdendo R$ 240,1 bilhões em valor de mercado. Instituições como Itaú Unibanco, BTG Pactual, Bradesco e Banco do Brasil registraram perdas significativas. A sensibilidade dos bancos às perspectivas de atividade econômica e crédito explica parte dessa desvalorização.
Empresas ligadas ao consumo doméstico e a investimentos de longo prazo também sofreram fortes quedas. Magazine Luiza liderou a lista de maiores quedas individuais, com recuo de 58,23%, seguida por Vamos e Hapvida. Varejistas, incorporadoras, locadoras de veículos, empresas de saúde e educação foram impactadas pela incerteza sobre juros mais altos e menor crescimento econômico.
Energia e petróleo também sentem o impacto
As empresas de energia elétrica perderam R$ 92,8 bilhões em valor de mercado, e as de exploração, refino e distribuição de petróleo, R$ 80,5 bilhões. A alta das taxas de juros de longo prazo e o custo do financiamento afetaram esses setores, mesmo aqueles com receitas mais previsíveis, como as elétricas.
A elevação das taxas futuras de juros, que chegaram a cerca de 16%, reflete a exigência de maior remuneração pelo risco fiscal e econômico do país. Essa abertura da curva de juros encarece o financiamento para empresas e reduz o valor que investidores estão dispostos a pagar por seus lucros futuros.
Exportadoras e a proteção cambial
Em contrapartida, empresas exportadoras encontraram alguma proteção na alta do dólar. A Vale, por exemplo, subiu 4% no pregão de segunda-feira. Para essas companhias, a receita em moeda estrangeira pode compensar a desvalorização do real. No entanto, esse efeito tem limites e depende da estrutura de custos e dívidas.
Para as empresas voltadas ao mercado doméstico, a conta é diferente. Receitas em reais não se beneficiam da alta cambial, e insumos importados podem ficar mais caros. A pressão inflacionária gerada pela desvalorização também pode dificultar a queda dos juros.
Próximos passos e recuperação do mercado
Na terça-feira, parte dos setores mais afetados ensaiou uma recuperação modesta. No entanto, a estabilidade do mercado depende de novas sinalizações do governo sobre a política fiscal e a definição do Ministério da Fazenda. Investidores aguardam compromisso com o equilíbrio das contas públicas e uma condução econômica que traga confiança.
A trajetória dos juros de longo prazo e o fluxo de capital estrangeiro serão indicadores cruciais para distinguir uma correção temporária de uma reprecificação mais duradoura. A composição da equipe econômica e os sinais sobre a condução fiscal também serão determinantes para a recuperação da confiança e dos preços dos ativos brasileiros.
Matérias originais
- O Mapa das Perdas na Bolsa Revela os Temores do Mercado · forbes.com.br
- Ibovespa tem queda modesta em dia de acomodação após tombo; incertezas persistem · infomoney.com.br
- Estabilidade do Ibovespa depende do fiscal e do indicado para a Fazenda, diz estrategista-chefe da Monte Bravo · moneytimes.com.br
- Ibovespa recua com pressão de ‘pesos-pesados’ após choque eleitoral; dólar cai · moneytimes.com.br



