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El Niño pode impulsionar inflação nos EUA em 2027, aponta Fed de San Francisco

02 de novembro de 2026
El Niño pode impulsionar inflação nos EUA em 2027, aponta Fed de San Francisco

Destaques

  • •Fenômeno climático El Niño pode elevar a inflação nos EUA em até 1 ponto percentual em 2027.
  • •Pesquisa do Federal Reserve de San Francisco também indica geração de empregos e riscos de perturbações em mercados como o de fertilizantes.
  • •O Fed de San Francisco projeta que o El Niño pode ter impactos significativos na economia americana, exigindo atenção em meio a outras pressões inflacionárias.

O fenômeno climático El Niño, que pode causar um aumento recorde nas temperaturas oceânicas nos próximos meses, representa um “risco significativo” de aumento da inflação nos Estados Unidos em 2027, embora também deva contribuir para a geração de empregos. A análise é de uma pesquisa publicada pelo Federal Reserve de San Francisco. O atual El Niño pode estar entre os mais intensos já registrados, segundo projeções da Organização Meteorológica Mundial, causando secas, inundações e aumento do calor em diversas partes do mundo.

Os pesquisadores do banco regional do Fed estimam que o episódio atual já possa ter elevado os níveis gerais de preços em cerca de 0,3 ponto percentual entre abril e julho deste ano. Embora esse aumento inicial deva diminuir até o final de 2024, as projeções indicam que o fenômeno poderá impulsionar os preços em até 1 ponto percentual em 2027.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado pelo Federal Reserve de San Francisco, intitulado "In Hot Water? The Macroeconomic Impacts of El Niño", aponta que o fenômeno climático representa um risco para a inflação nos Estados Unidos. A pesquisa, que utiliza uma nova abordagem para estimar as funções de impulso do El Niño, conclui que o fenômeno representa um risco considerável para os preços ao consumidor (PCE) e para o emprego. Os efeitos de longo prazo nos preços são impulsionados pelos preços de serviços essenciais e alimentos, e dependem da ocorrência de La Niñas após os El Niños, o que é comum. Após efeitos iniciais compensatórios modestos, os aumentos de emprego são generalizados em termos de setores e estados no ano seguinte ao El Niño. Os resultados indicam que os El Niños podem ter impactos materiais na economia dos EUA, mesmo que o país não seja predominantemente tropical ou focado na agricultura.

Outro estudo, "Nonlinear El Niño impacts on the global economy under climate change", publicado na Nature Communications em 2023, utiliza um modelo não linear de clima-economia. Ele estima que um El Niño pode causar perdas econômicas globais de trilhões de dólares, com impactos que se estendem por três anos após o choque inicial. Para os eventos extremos de 1997-98 e 2015-16, as perdas globais foram estimadas em US$ 2,1 trilhões e US$ 3,9 trilhões, respectivamente. O estudo também prevê que, sob um cenário de altas emissões e aumento da variabilidade do ENSO (El Niño-Oscilação Sul), a perda econômica global pode chegar a US$ 33 trilhões agregados até o final do século XXI.

Contexto inflacionário nos EUA

O Federal Reserve (Fed) tem enfrentado uma inflação persistentemente acima de sua meta de 2% há mais de cinco anos e meio. Diversos fatores contribuíram para esse cenário, incluindo interrupções na cadeia de suprimentos durante a pandemia, um aumento acentuado nas tarifas em 2025 e a alta nos preços globais do petróleo desde o início da guerra no Irã. A projeção de que o El Niño possa adicionar mais uma pressão de alta sobre os preços ocorre em um momento em que o Fed também lida com o impacto inflacionário da demanda por bens e serviços relacionados à inteligência artificial (IA).

Em resposta à inflação, o Fed manteve as taxas de juros inalteradas na semana passada. No entanto, há uma expectativa generalizada de que o banco central americano aumente a taxa básica de juros em dezembro e novamente no próximo ano, a fim de conter as pressões inflacionárias.

Implicações e incertezas

As implicações do El Niño para a economia dos EUA são consideradas incertas pelos pesquisadores associados do Fed de San Francisco, Molly Arden e Toby Graf, juntamente com a economista sênior Brigitte Roth Tran. Embora a melhoria na qualidade das previsões meteorológicas permita que empresas, famílias e formuladores de políticas estejam mais bem preparados, a integração global dos mercados pode tornar a economia dos EUA mais sensível a choques externos.

Desenvolvimentos mais recentes, como perturbações no mercado de fertilizantes, interrupções na cadeia de suprimentos em mercados de energia e eventos climáticos recordes, também podem interagir com o El Niño de maneiras inesperadas, segundo os autores do artigo.

Pesquisa citada

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