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Egito pode enviar Forças Armadas para defender Arábia Saudita contra Houthis

25 de outubro de 2026
Egito pode enviar Forças Armadas para defender Arábia Saudita contra Houthis

Destaques

  • •Parlamento egípcio votará autorização para Forças Armadas auxiliarem Arábia Saudita contra ataques dos Houthis.
  • •Medida aproximaria o Egito de envolvimento militar direto em conflitos regionais, com impacto na estabilidade econômica e de segurança do país.
  • •Acompanhar a votação parlamentar e o tipo de apoio militar que o Egito poderá oferecer.

O parlamento do Egito se prepara para votar a autorização para que as Forças Armadas do país auxiliem na defesa da Arábia Saudita contra ataques dos Houthis do Iêmen, caso Riad solicite esse apoio. A medida, solicitada pelo presidente Abdel Fattah al-Sisi, aproximaria o Egito, o país mais populoso do mundo árabe, de um envolvimento militar direto nos conflitos regionais em expansão, desencadeados pela ofensiva aérea dos EUA e de Israel contra o Irã em fevereiro. Em discurso no sábado (17), Sisi assegurou aos líderes sauditas que o Cairo "tomará qualquer medida para protegê-los", afirmando que o Egito "jamais, jamais esquecerá nossos irmãos no Golfo".

A declaração marca uma escalada no tom egípcio, que até então mantinha uma postura mais cautelosa. Embora o Egito seja um parceiro de longa data na estrutura de segurança liderada pelos EUA e tenha manifestado apoio aos aliados do Golfo, evitou comprometer-se publicamente com participação direta em combates. O país já possui caças egípcios Rafale nos Emirados Árabes Unidos e analisou a possibilidade de aderir a um acordo de defesa conjunta com Turquia e Paquistão, mas sem sucesso até o momento. A mudança de postura se intensificou após os Houthis aumentarem os ataques contra instalações petrolíferas na Arábia Saudita, levando o príncipe herdeiro saudita a discutir com Sisi a segurança da navegação no Estreito de Bab el-Mandeb e no Mar Vermelho.

Impacto econômico e de segurança para o Egito

A estabilidade econômica do Egito está intrinsecamente ligada aos países do Golfo, que são grandes produtores de petróleo. As remessas de trabalhadores egípcios na região são uma fonte crucial de divisas, especialmente em um cenário de inflação de dois dígitos e alta nos preços de alimentos e combustíveis. A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e outros países do Golfo têm sido importantes apoiadores financeiros de Sisi, com dezenas de bilhões de dólares em ajuda, depósitos e investimentos desde 2013. O Banco Central egípcio registra um depósito saudita de US$ 5,3 bilhões (cerca de R$ 27 bilhões) com vencimento neste mês, além de juros.

Preocupações crescentes com a segurança também impulsionam uma postura mais ativa do Cairo. Um ataque com drones em julho contra embarcações de gás no porto de Damietta evidenciou que o Egito não pode permanecer isolado do conflito. Analistas apontam que as autoridades egípcias veem as preocupações econômicas e de segurança como interligadas. A segurança da Arábia Saudita é considerada uma dimensão da segurança nacional egípcia, especialmente devido ao interesse compartilhado em garantir a navegação pelo Mar Vermelho e a arrecadação de bilhões de dólares anualmente com as taxas do Canal de Suez.

Capacidade militar e tipo de apoio provável

O Egito possui uma das maiores forças armadas do mundo árabe, com centenas de milhares de militares e um vasto arsenal aéreo, terrestre e naval. Sua força aérea opera caças F-16 (EUA), Rafales (França) e MiG-29 (Rússia). O país recebe cerca de US$ 1,3 bilhão (R$ 6,5 bilhões) anuais em ajuda militar dos EUA, que dispensou condições de direitos humanos para uma parcela dos recursos devido ao "papel útil" do Cairo na guerra. As Forças Armadas egípcias têm experiência em contrainsurgência no Sinai e já contribuíram com forças aéreas e navais para a coalizão no Iêmen em 2015, além de ataques contra o Estado Islâmico na Líbia.

O envio de tropas terrestres em larga escala não ocorre desde a Guerra do Golfo em 1991. Intervenções mais prováveis, segundo analistas, incluem defesa aérea e apoio naval, focados em ameaças como mísseis e drones, e na proteção de embarcações. O oficial militar egípcio da reserva Samir Ragheb sugere que a marinha poderia atuar na proteção contra pirataria e na defesa costeira saudita. No entanto, especialistas alertam que a entrada de mais uma força militar convencional árabe não resolverá "de repente o problema dos houthis", que representam um desafio complexo devido à sua dispersão e uso de táticas assimétricas.

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