Economista da XP alerta para pressões inflacionárias e possível pausa nos juros

Destaques
- •Caio Megale, economista-chefe da XP, aponta que câmbio e petróleo elevam projeções de inflação no Brasil, especialmente para 2027.
- •A depreciação do real para cerca de R$ 5,30-R$ 5,40 e o barril de petróleo a US$ 110 são fatores de risco, segundo o economista.
- •Megale sugere que o Banco Central pode pausar o ciclo de cortes de juros em dezembro, apesar de um corte de 0,25 ponto percentual ser provável na próxima reunião do Copom.
O economista-chefe da XP, Caio Megale, alertou que as recentes movimentações do câmbio e do petróleo indicam um cenário de pressões inflacionárias mais elevadas para o Brasil, com projeções para 2027 se deteriorando. Fatores externos e domésticos combinados contribuem para essa perspectiva.
O preço do petróleo, negociado em torno de US$ 110 o barril, e a alta nos preços de alimentos globais aumentam o risco de inflação generalizada. No mercado interno, a taxa de câmbio passou de uma faixa entre R$ 5,05 e R$ 5,10 para cerca de R$ 5,30 a R$ 5,40. Essa depreciação cambial, somada ao aumento de custos externos, sugere uma inflação mais alta em 2027, segundo Megale.
Outros vetores de pressão inflacionária
Além do petróleo e do câmbio, outros fatores foram citados como fontes de pressão sobre os preços. O fim da escala de trabalho 6x1 pode gerar custos adicionais para as empresas no curto prazo, elevando o custo dos serviços em 2027. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) também estaria revisando a pesquisa de orçamento familiar, pois os serviços, setor com inflação mais alta, têm ganhado maior participação na cesta de consumo dos brasileiros.
“Tudo isso está sugerindo um desafio maior para o Banco Central atingir a meta de 3%”, disse o economista, referindo-se à meta de inflação.
Decisão do Copom e possível pausa nos juros
Diante desse cenário, Megale avaliou que o Banco Central ainda deve realizar um corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) prevista para a semana seguinte à entrevista. No entanto, ele sinalizou que a instituição deveria deixar a porta mais aberta para uma eventual pausa em dezembro.
“A minha impressão é que o Banco Central ainda entrega, na semana que vem, um corte de 0,25”, afirmou, acrescentando que “já vão deixar a porta bem mais aberta em dezembro” caso a deterioração das expectativas continue. Ele ponderou que uma pausa seria tecnicamente defensável, pois as expectativas de inflação já estão acima da meta e subindo. Por outro lado, a economia está desacelerando, com indicadores de varejo, indústria e serviços apontando nessa direção, e o PIB do terceiro trimestre poderia ser negativo.
Risco de frustração no ciclo de cortes
Megale reconheceu o risco de o ciclo de cortes de juros ser frustrado, como ocorreu em um ciclo anterior. Contudo, apontou diferenças relevantes no cenário atual, como uma desaceleração econômica mais consistente. No entanto, alertou que se o petróleo continuar subindo, a política fiscal caminhar para mais despesas e o câmbio depreciar ainda mais, chegando próximo a R$ 6,00, o cenário de frustração poderia se concretizar.
“A impressão é que nós temos uma onda de inflação aqui agora, o Banco Central dá uma segurada, espera essa onda passar”, concluiu.
Subsídio ao combustível e perspectivas para a gasolina
Sobre o subsídio ao diesel e à gasolina, Megale afirmou que não havia, em seu cenário-base, projeção de alta nos preços dos combustíveis. Ele explicou que o aumento do petróleo gera maior arrecadação, o que ajuda a financiar o subsídio. O governo já havia sinalizado a continuidade do benefício para o ano seguinte.
Contudo, o economista advertiu que manter os preços da gasolina fora da paridade internacional por um período prolongado não seria sustentável caso o petróleo permanecesse acima de US$ 100 o barril. “Se ficar claro que o preço do petróleo não vai voltar para os 70, 80 que todo mundo esperava e vai ficar acima de 100, aí a gente tem que aceitar custos mais elevados de combustíveis”, afirmou.
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- Petróleo e câmbio sugerem inflação mais elevada no Brasil, diz XP · cnnbrasil.com.br



