Economista critica arcabouço fiscal e pede corte de desonerações
Destaques
- •Monica de Bolle avalia que o arcabouço fiscal já está 'meio morto' e precisa ser repensado.
- •Pesquisadora sugere redução de desonerações fiscais como medida urgente para sinalizar compromisso fiscal.
- •Governo Lula precisa de apoio do mercado para avançar em meio a cenário econômico global desafiador.
A economista Monica de Bolle, pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics, avalia que o maior desafio do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva será dar credibilidade à equipe econômica. Segundo ela, o governo precisará do apoio do mercado para avançar, especialmente diante de um Congresso eleito com perfil diferente e um cenário econômico global adverso em 2027, marcado por juros altos, choques de energia e guerras.
De Bolle criticou o atual arcabouço fiscal, afirmando que ele já está "meio morto" e necessita de um repensar urgente. Ela projeta um cenário de crescimento econômico menor para 2027, o que pode inviabilizar as metas do programa de governo.
Medida urgente para o fisco
A pesquisadora defende que o governo anuncie uma medida imediata para sinalizar que está ciente do problema fiscal e que pretende agir. Uma das sugestões de Monica de Bolle é a redução de desonerações fiscais, o que teria impacto direto no resultado primário do país.
"Isso tem impacto direto no resultado primário", afirmou a economista, ressaltando que uma medida eficaz para ajudar na credibilidade do governo deveria ter um impacto de pelo menos R$ 40 bilhões.
Proposta de venda de imóveis é irrelevante
Em relação à proposta de Flávio Bolsonaro de vender imóveis, Monica de Bolle a considera irrelevante. Ela argumenta que a medida geraria uma receita incerta e pouco expressiva, além de não sinalizar um compromisso fiscal efetivo.
"Mais do que isso, a venda de imóveis não seria um sinal de compromisso fiscal. A medida precisa ser feita no lado da despesa", explicou a economista.
Cenário desafiador para 2027
Monica de Bolle alertou que 2027 se apresenta como um ano desafiador em termos de crescimento econômico, com projeções de desaceleração global e aumento das taxas de juros internacionais. O programa de governo de Lula, que conta com um crescimento que a economista considera improvável, pode enfrentar dificuldades para se concretizar.



