Dragon Age: Inquisition, o GOTY de 2014 e o ápice da BioWare

Destaques
- •Dragon Age: Inquisition foi eleito Jogo do Ano (GOTY) no The Game Awards de 2014, marcando um ápice para a BioWare.
- •O desenvolvimento do jogo enfrentou desafios significativos, incluindo o uso forçado do motor gráfico Frostbite 3 e práticas de crunching, mas ainda assim se destacou pela narrativa e jogabilidade.
- •A conquista do GOTY, apesar dos problemas internos e da pressão da Electronic Arts, é vista como um ponto alto, mas também como o início de um declínio para a BioWare.
Em 2014, a BioWare alcançou um marco significativo com o lançamento de Dragon Age: Inquisition, que viria a ser eleito o Jogo do Ano (GOTY) no The Game Awards. Na época, o jogo era visto como um sucessor de títulos como The Elder Scrolls V: Skyrim e representava o auge da desenvolvedora, que já havia criado obras aclamadas como a trilogia Mass Effect e Dragon Age: Origins.
O evento, criado por Geoff Keighley, tornou-se um palco crucial para a BioWare e a Electronic Arts demonstrarem sua força em um cenário competitivo, que incluía franquias como Bayonetta, Sombras de Mordor e a ascensão do mobile com Hearthstone. Dragon Age: Inquisition, embora não seja universalmente considerado o melhor título do estúdio, refletiu o progresso da BioWare e serviu para consolidar sua reputação na indústria.
Os desafios no desenvolvimento de Dragon Age: Inquisition
O caminho para o lançamento de Dragon Age: Inquisition foi árduo. A Electronic Arts impôs o uso do motor gráfico Frostbite 3, com o qual a BioWare não tinha experiência e que carecia de ferramentas para jogos de RPG, obrigando o estúdio a desenvolver tudo do zero. Adicionalmente, a equipe enfrentou problemas com a migração de dados salvos e a prática abusiva de crunching para cumprir os prazos.
A pressão para inovar e honrar o legado da BioWare, somada à tendência de criar áreas de mundo aberto extensas com conteúdo disperso, tornou o desenvolvimento ainda mais complexo. A necessidade de compatibilidade com consoles da geração anterior (PS3 e XBOX 360), enquanto a nova geração (PS4 e XBOX One) já estava disponível, também impôs limitações significativas à produção.
A expertise e o legado da BioWare
Fundada em 1995, a BioWare construiu uma reputação de excelência, raramente entregando algo abaixo da média. Mesmo títulos posteriores como Mass Effect Andromeda e Anthem, apesar das críticas, ainda se destacavam quando comparados a jogos comuns. No entanto, o envolvimento crescente da Electronic Arts e de acionistas, focados no lucro, muitas vezes interferiu no processo criativo, levando a decisões controversas, como a apresentação de um trailer de Anthem sem o conhecimento do diretor do jogo.
Apesar dos obstáculos, Dragon Age: Inquisition foi lançado em novembro de 2014 com aclamação. A força do roteiro, as ferramentas implementadas e os gráficos foram pontos altos, demonstrando a capacidade da equipe de extrair o melhor de recursos limitados. O jogo não apenas abriu as portas para a franquia na nova geração de consoles, mas também se tornou um símbolo da luta da BioWare contra as pressões do mercado e da própria EA.
A disputa acirrada pelo Jogo do Ano
Em 2014, a competição pelo GOTY no The Game Awards foi intensa. Dragon Age: Inquisition concorreu com títulos notáveis como Dark Souls II, que solidificou o gênero soulslike; Bayonetta 2, um exclusivo da Nintendo que marcou o retorno da personagem; Terra-Média: Sombras de Mordor, elogiado pela inovação com a mecânica de "Nêmesis"; e Hearthstone: Heroes of Warcraft, que representou a força dos jogos mobile e digitais.
A BioWare não apenas conquistou o prêmio principal de Jogo do Ano, mas também o de Melhor RPG de 2014, superando Bravely Default, Divinity: Original Sin e Dark Souls II. Esses dois troféus, embora possam parecer modestos hoje, foram um resultado expressivo na época, considerando a qualidade dos concorrentes e os desafios enfrentados pelo estúdio.
O ápice e o declínio da BioWare
Dragon Age: Inquisition representou o ápice da BioWare, consolidando suas melhores qualidades e recebendo o reconhecimento merecido. Contudo, essa conquista também marcou o início de um período mais sombrio para o estúdio. A EA, vendo o sucesso, intensificou a pressão por novos títulos, o que resultou em projetos problemáticos como Mass Effect Andromeda e o cancelamento de outros, além de um novo Dragon Age (The Veilguard) e a incerteza sobre a visão original de Anthem.
O título de Jogo do Ano, que deveria ser um ponto de virada positivo, acabou se tornando o "começo do fim" para a equipe. A história de Dragon Age: Inquisition serve como um lembrete da crueldade da indústria de games: a genialidade, mesmo em ambientes adversos, precisa ser mantida para garantir a sobrevivência. Hoje, a BioWare, com portas fechadas, é uma memória de conquistas passadas, mas o legado de Dragon Age: Inquisition demonstra que o ápice, por si só, não garante um futuro.



