Dólar recua após disparada com reeleição de Lula; juros futuros cedem

Destaques
- •Dólar à vista fecha em queda de 0,97% a R$ 5,3506, após alta de mais de 8% na véspera.
- •Juros futuros (DIs) também recuam, com Tesouro Nacional recomprando títulos para conter volatilidade.
- •Mercado aguarda sinalizações do governo eleito sobre política fiscal e Ministério da Fazenda.
O dólar iniciou a terça-feira (27) em baixa ante o real, com o mercado demonstrando maior acomodação após disparar mais de 8% na véspera, em reação à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O dólar à vista encerrou o dia cotado a R$ 5,3506, com recuo de 0,97%. Na segunda-feira (26), a moeda americana havia fechado em alta de 8,36%, a R$ 5,4066, refletindo receios em torno da continuidade da política fiscal e um ajuste de posições após o resultado eleitoral.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, afirmou que o ajuste fiscal não é prioridade do governo até o fim do ano, focando na aprovação da PEC da Segurança Pública, da medida provisória das bets e da PEC do transporte público gratuito. Segundo Guimarães, a forte pressão vista na segunda-feira no mercado financeiro representou uma “troca de posição, porque o mercado estava apostando em outro candidato”, e que já há uma reação de acomodação de expectativas.
Mercado de Juros e Tesouro Nacional
As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam a terça-feira com baixas firmes, após dispararem mais de 250 pontos-base na véspera. O Tesouro Nacional realizou um leilão de recompra de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), recomprando 3,815 milhões de títulos, em um valor total de cerca de R$16,8 bilhões. Somadas às recompras do dia anterior, o órgão elevou para R$31,6 bilhões o volume recomprado em dois dias, buscando minimizar a pressão de alta sobre as taxas futuras.
A taxa do DI para janeiro de 2028 recuou 41 pontos-base, fechando em 14,41%, enquanto a taxa para janeiro de 2031 cedeu 34 pontos-base, a 14,935%. Apesar da queda, as taxas permanecem bem acima dos níveis vistos antes do primeiro turno da eleição, refletindo as preocupações dos investidores com a política fiscal do governo Lula.
Posicionamento Internacional e Expectativas
No cenário internacional, o dólar norte-americano operava com alta ante o euro e a libra, mas cedia ante outras divisas de países emergentes, como o peso chileno e a rupia indiana. O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de seis divisas, subia 0,15% às 9h45. O movimento local, no entanto, destoou do desempenho global, com o cenário externo em segundo plano.
Os investidores locais aguardam sinalizações do governo eleito sobre a indicação ao Ministério da Fazenda e a condução da política fiscal. No exterior, a expectativa está voltada para a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), que será divulgada na quarta-feira. A chance de manutenção dos juros na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano é alta, segundo a ferramenta FedWatch.
Próximos Passos
O Banco Central realiza nesta terça-feira (27) seu leilão regular de rolagem de swap cambial, com oferta de 80.000 contratos para 3 de novembro. O governo foca na aprovação de três grandes pautas no Congresso até 20 de dezembro: a PEC da Segurança Pública, a MP das Bets e a PEC do transporte público gratuito.
Matérias originais
- Dólar Cai Mais de 1% no Brasil Depois de Disparada Pós-eleição · forbes.com.br
- Ministro diz que ajuste fiscal 'não é prioridade' para 2026 · g1.globo.com
- Taxas dos DIs têm baixas firmes em sessão de ajustes após disparada da véspera · infomoney.com.br
- Dólar recua e fecha a R$ 5,35 após estresse com vitória de Lula · moneytimes.com.br



