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Doença de Newcastle em perus em SC leva à emergência zoossanitária

20 de outubro de 2026
Doença de Newcastle em perus em SC leva à emergência zoossanitária

Destaques

  • •Foco da doença de Newcastle é confirmado em granja de perus em Nova Itaberaba, Santa Catarina.
  • •Governo declara estado de emergência zoossanitária por 60 dias nos municípios afetados.
  • •Consumo de produtos avícolas inspecionados permanece seguro; exportações ainda não foram suspensas.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou o registro de um foco da doença de Newcastle em um estabelecimento de avicultura comercial de corte de perus no município de Nova Itaberaba, em Santa Catarina. A existência do foco foi confirmada no domingo (18). Em resposta, o governo federal declarou estado de emergência zoossanitária nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim, também em Santa Catarina, por um período de 60 dias. A medida visa a contenção e erradicação da doença.

O estabelecimento onde o foco foi identificado foi interditado pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina, com a suspensão da movimentação de aves. As medidas de controle, contenção e erradicação seguirão as diretrizes do Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle. A ocorrência foi identificada durante investigação epidemiológica e confirmada por análise no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP), reconhecido internacionalmente pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) para o diagnóstico da doença.

O que é a doença de Newcastle?

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres, causada por um vírus virulento do paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV-1). A transmissão entre aves ocorre principalmente por partículas de secreções respiratórias que se espalham pelo ar, e também pelas fezes de animais infectados. Dependendo da agressividade do vírus, a mortalidade pode chegar a 100% dos animais de um lote. A infecção pode provocar alterações respiratórias, digestivas e de coordenação motora, e em alguns casos, pode ser assintomática.

A contaminação humana é possível, mas extremamente rara e geralmente não grave. Os sintomas em humanos são semelhantes aos de uma gripe ou uma conjuntivite leve e passageira, associados ao contato direto e próximo com secreções respiratórias de animais doentes. Não há risco para o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial, mesmo em caso de infecção nas aves. O vírus pode sobreviver por dias ou semanas em objetos, facilitando a propagação mecânica.

Medidas de controle e impacto nas exportações

As autoridades sanitárias estão executando medidas de controle, contenção e erradicação do foco, conforme o plano de contingência. A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) está atuando no local para eliminar o foco o mais rápido possível. O governo já notificou a OMSA e os parceiros comerciais do Brasil, cumprindo os compromissos internacionais de transparência sanitária.

Segundo o secretário-substituto de Comércio e Relações Internacionais do ministério, Rafael Requião, não há informações sobre a suspensão das exportações brasileiras de aves por conta do foco da doença. Ele afirmou que ainda não há nada objetivo a informar sobre possíveis restrições comerciais. A China e o México já suspenderam parcial ou totalmente a compra de frangos brasileiros em situações anteriores, mas, no momento, não há confirmação de novas suspensões.

Recomendações e segurança alimentar

O Ministério da Agricultura ressalta que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro e sem contraindicações. As medidas sanitárias adotadas visam garantir a sanidade do plantel e a segurança dos mercados consumidores.

Para quem encontrar aves doentes ou mortas, a orientação é manter distância, não tocar nos animais e acionar o Serviço Veterinário Oficial ou a secretaria municipal de Agricultura. A prevenção em granjas comerciais inclui vacinação, limpeza das instalações e proteção contra o contato com outras aves. Não há tratamento para aves infectadas, e em caso de detecção, o protocolo envolve quarentenas, abate humanitário dos animais infectados e expostos, descarte adequado das carcaças e desinfecção das estruturas.

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