Descoberto na China fóssil de anfíbio que viveu exclusivamente no mar há 237 milhões de anos

Destaques
- •Nova espécie, Gerrothorax maritimus, é o primeiro anfíbio conhecido a viver permanentemente em água salgada.
- •Adaptações como pele impermeável e brânquias permitiram a vida marinha, diferentemente dos anfíbios atuais.
- •Análise química dos ossos e contexto geológico confirmaram o habitat marinho do animal extinto.
Cientistas descobriram na China uma nova espécie de anfíbio extinto, batizada de Gerrothorax maritimus, que viveu há cerca de 237 milhões de anos e possuía a capacidade única de habitar exclusivamente o ambiente marinho. A descoberta, publicada na revista científica Nature Ecology & Evolution, baseia-se em dois fósseis encontrados na província de Guizhou. O animal tinha aproximadamente 75 centímetros de comprimento e um corpo achatado.
Adaptações para a vida marinha
A principal característica que distingue o Gerrothorax maritimus de todos os anfíbios conhecidos é sua adaptação à água salgada. Anfíbios atuais possuem pele permeável, essencial para a absorção de água e troca gasosa, mas que os impede de viver em ambientes salinos, pois leva à desidratação. No caso do Gerrothorax maritimus, sua pele era semelhante a uma carapaça, selando a troca de líquidos e protegendo o corpo da desidratação.
Outra adaptação crucial foi a presença de brânquias, que permitiam a respiração aquática. Os pesquisadores acreditam que essas brânquias foram perdidas na evolução das espécies de anfíbios atuais. O animal passava a maior parte do tempo no fundo do mar, camuflado, e se alimentava por sucção, utilizando sua boca grande, de forma semelhante ao tubarão-tapete.
Confirmação do habitat marinho
Apesar de os fósseis terem sido encontrados em um local marinho, os cientistas precisaram confirmar se este era realmente o habitat natural da espécie ou se o animal foi levado para lá postumamente. A análise química dos ossos revelou uma assinatura de estrôncio compatível com o ambiente marinho.
As rochas e sedimentos ao redor dos fósseis também corroboraram essa conclusão, descartando a hipótese de contaminação. Os fósseis estavam localizados a cerca de 30 quilômetros da ilha mais próxima existente no período Triássico Superior. A proximidade com fósseis de ictiossauros, répteis marinhos totalmente adaptados, e a integridade dos ossos dos dedos, que permaneceram ligados ao esqueleto, reforçaram a evidência de que o Gerrothorax maritimus morreu em seu habitat natural.



