Democratas prometem investigar negócios de Trump e aliados após vitórias nas midterms

Destaques
- •Com o controle do Congresso, democratas planejam investigar o império empresarial da família Trump, contratos de defesa e a atuação de figuras-chave do governo.
- •Elon Musk e Stephen Miller são citados como alvos de investigações, focando no envolvimento de Musk com demissões federais e na política de imigração de Miller.
- •O secretário de Defesa, Pete Hegseth, também enfrenta a possibilidade de impeachment devido à guerra com o Irã e gastos militares.
Após conquistarem o controle da Câmara dos Representantes e do Senado nas eleições de meio de mandato (midterms), os democratas nos Estados Unidos já sinalizaram que pretendem iniciar uma série de investigações sobre ações do governo do presidente Donald Trump e seus aliados. O poder de emitir intimações e de receber verbas adicionais para investigações confere aos democratas ferramentas para fiscalizar o Executivo.
Os principais alvos das investigações iniciais devem ser os negócios lucrativos ligados ao império empresarial da família Trump. O deputado democrata Suhas Subramanyam afirmou que o objetivo é garantir que o dinheiro dos contribuintes americanos não seja desviado por corrupção. Entre os pontos de investigação estão os vínculos entre o governo e empresas, especialmente no setor de criptomoedas, os negócios internacionais do genro do presidente, Jared Kushner, e contratos de defesa concedidos a empresas ligadas à família Trump. Um avião de US$ 400 milhões (mais de R$ 2,1 bilhões) oferecido pelo Catar para uso oficial também pode ser alvo de apuração.
Investigações sobre o governo e aliados
O megabilionário do setor de tecnologia Elon Musk e o recém-nomeado chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, são apontados como prováveis alvos de investigações. O deputado Robert Garcia, que deve presidir a Comissão de Fiscalização da Câmara, indicou que o envolvimento de Musk na demissão de funcionários federais e o papel de Miller na política de imigração de Trump serão focos de interesse. Garcia descreveu a política de imigração como "horrível e injusta", e afirmou que Miller, como "arquiteto" de decisões políticas importantes, "merece fiscalização e investigação".
A política de imigração de Trump, que incluiu operações com mortes de civis, tem baixa aprovação popular, com apenas 37% dos americanos aprovando a gestão do presidente na área, segundo pesquisa da Reuters/Ipsos. Especialistas apontam que, mesmo com o controle democrata do Congresso, o governo Trump deve manter sua abordagem agressiva na imigração.
Secretário de Defesa sob mira
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, também enfrenta a possibilidade de impeachment. Parlamentares democratas prometem apoiar uma medida para abrir processo contra ele, citando a guerra com o Irã iniciada em fevereiro, o número de vítimas civis, os gastos no conflito e acusações de escassez de munições e instalações mal preparadas. O deputado Thomas Massie, republicano, afirmou que apresentará novamente os artigos de impeachment contra Hegseth.
O procurador-geral Todd Blanche sinalizou que o governo Trump está preparado para enfrentar as investigações, classificando as ameaças de alguns democratas como "algo que não podemos tolerar". Ele afirmou que "se você trabalha neste governo, tem um advogado. Sou eu".
Especialistas como David Miller, professor de ciência política, acreditam que a publicidade negativa gerada pelas investigações pode levar à demissão ou renúncia de funcionários, o que seria uma vitória para os democratas. Richard Painter, ex-chefe do departamento de ética da Casa Branca, ressalta a importância de analisar a autorização da guerra com o Irã, que, segundo ele, nunca foi aprovada pelo Congresso, contrariando a Constituição.
Apesar das promessas de investigação, não há garantia de que os processos resultem em conclusões substanciais contra Trump. O deputado Suhas Subramanyam, no entanto, considera que os esforços, mesmo que sem sucesso imediato, enviarão uma mensagem importante para o futuro.


