David Feffer: como a Suzano se tornou líder mundial em celulose

Destaques
- •David Feffer, presidente do Conselho da Suzano, compartilhou sua visão sobre liderança e gestão em palestra no G4 Valley.
- •A empresa, sob sua gestão, focou em profissionalização, ampliação de interesses para além dos acionistas e compromisso de longo prazo dos controladores.
- •A Suzano planeja investir em tecnologia e sustentabilidade, com foco em biotecnologia e IA para otimizar a produção e responder a desafios ambientais.
David Feffer, presidente do Conselho de Administração da Suzano (SUZB3), compartilhou nesta quinta-feira (29) no evento G4 Valley, em São Paulo, os princípios que guiaram sua gestão na centenária empresa, que se tornou a maior produtora de celulose do mundo. Ele destacou a importância de combinar a capacidade de execução, herdada de seu avô Leon Feffer, com a disciplina de reflexão e planejamento, aprendida com seu pai, Max Feffer. Essa união, somada à curiosidade e resiliência, foi crucial para conduzir a companhia em um mercado em constante transformação.
Feffer relatou que a trajetória de sucessão familiar foi desafiadora, especialmente após as mortes de seu avô e pai em 1999 e 2001, respectivamente. Ele assumiu a liderança em um momento de incerteza, com a empresa faturando R$ 50 bilhões no ano anterior. Diante desse cenário, ele e seus irmãos definiram que o legado seria focado em sustentabilidade e na construção de uma empresa para as futuras gerações.
Três pilares para a longevidade
A estratégia para garantir a continuidade e o desenvolvimento da Suzano foi organizada em três pilares. O primeiro foi a profissionalização da gestão, priorizando a capacidade profissional dos executivos, independentemente de serem da família controladora. O segundo pilar ampliou o compromisso da empresa para além dos acionistas, incluindo funcionários, clientes, fornecedores e comunidades. "Só é bom para nós se for bom para o mundo", resumiu Feffer.
O terceiro pilar assegurou o compromisso dos acionistas controladores com o negócio no longo prazo. Essa combinação visa preservar a continuidade da empresa sem que a sucessão familiar se torne um obstáculo à profissionalização. A preocupação com a longevidade também se reflete nos investimentos em tecnologia e sustentabilidade.
Inovação, sustentabilidade e riscos
A Suzano planta atualmente cerca de 1,2 milhão de mudas de árvores por dia, com um saldo líquido de remoção de carbono de mais de 13 milhões de toneladas por ano. Feffer destacou o papel da biotecnologia e da inteligência artificial no desenvolvimento de árvores mais resistentes e produtivas, além da busca por processos de produção mais sustentáveis. Ele alertou, no entanto, que a inovação exige disposição para assumir riscos e questionar métodos consolidados, pois "o sucesso de hoje não garante a competitividade de amanhã".
O executivo alertou para o risco de a autossuficiência, gerada pelo sucesso, cegar e surdir os dirigentes, impedindo-os de ouvir clientes, observar concorrentes e buscar referências externas. Defendeu que empresários saiam dos escritórios, conversem com diferentes públicos e mantenham a liberdade intelectual para ouvir críticas, essencial para perceber mudanças no mercado antes que elas comprometam os negócios.
Preparação de herdeiros e desafios futuros
A preparação das novas gerações para o papel de acionistas é outro desafio. Feffer explicou que essa tarefa é dividida entre os irmãos, com um focado nos negócios e outro na formação dos descendentes. Dois membros da nova geração já atuam na Suzano, seguindo critérios de profissionalismo e disciplina. A união familiar, um valor transmitido desde o fundador, é vista como fundamental para evitar divergências e garantir a continuidade do negócio.
Para 2027, Feffer prevê que a velocidade das transformações tecnológicas exigirá das empresas mais criatividade e capacidade de adaptação. Modelos de gestão precisarão combinar agilidade na execução com planejamento estratégico. Ele defendeu o otimismo como disposição para enfrentar os problemas, mesmo diante de grandes tempestades, pois "atrás da nuvem tem sol".
Matérias originais
- Os três pilares que sustentam os 102 anos da Suzano, segundo David Feffer · infomoney.com.br


