Data Center na Amazônia: Legado da COP30 ou Velho Colonialismo Digital?

Destaques
- •Data center BEL1 anunciado como 'legado da COP30' em Belém levanta dúvidas sobre licenciamento e benefícios reais.
- •Secretaria de Meio Ambiente de Belém não recebeu pedido de licenciamento ambiental para o BEL1.
- •Investimento de R$ 250 milhões, com clientes 'âncora' não divulgados, levanta questões sobre controle e soberania digital na Amazônia.
Anunciado como um grande avanço para a Amazônia, o data center BEL1 em Belém, Pará, está cercado de questionamentos. Enquanto a Elea Data Centers promove o empreendimento como um legado da COP30, a falta de respostas sobre licenciamento, consumo de energia e benefícios concretos para a população local levanta bandeiras vermelhas.
A situação se torna ainda mais curiosa quando, em julho de 2026, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belém afirmou não ter recebido qualquer processo de licenciamento ambiental para o BEL1. Isso contrasta com a apresentação do projeto como praticamente definido, com investimento inicial de R$ 250 milhões e início das operações previsto para o segundo trimestre de 2027.
Ainda que a infraestrutura digital possa trazer benefícios, o modelo levanta o fantasma do velho colonialismo: o território fornece recursos (energia, localização) para grandes corporações, enquanto a população local fica à margem das decisões e desconhece os impactos.
A pergunta que fica é: quem realmente se beneficia desse "legado"? A tecnologia pode ser nova, mas a lógica de extração de valor do território e transferência para centros distantes parece bem antiga. 📉


