Cuba: Abertura de lojas privadas expõe desigualdade 'invisível' e agrava crise

Destaques
- •A liberalização do setor privado em Cuba, com a abertura de micro, pequenas e médias empresas (Mipymes), revelou uma profunda desigualdade social na ilha.
- •Enquanto uma minoria consegue acessar produtos importados e de maior qualidade, a maioria da população enfrenta dificuldades para suprir necessidades básicas devido aos altos preços.
- •A crise econômica atual, agravada pela queda do turismo e sanções americanas, aprofundou a vulnerabilidade de aposentados e famílias de baixa renda, contrastando com a prosperidade de poucos.
A abertura de lojas privadas de alimentos em Cuba, impulsionada pela permissão de Mipymes (micro, pequenas e médias empresas) desde o fim de 2021, trouxe um leque maior de produtos à ilha, mas escancarou uma desigualdade social que antes era menos visível.
Enquanto supermercados privados oferecem queijos, iogurtes e presuntos importados a preços inacessíveis para a maioria, aposentados com rendas mínimas vivem com o básico, dividindo um pão e chá.
A situação reflete a pior crise econômica e energética do país desde os anos 1990, com queda na produção, turismo e embargo americano, forçando muitos a buscar renda em empregos informais ou no exterior.
O país, que já teve um índice de Gini baixíssimo (0,24) nos anos 80, hoje vê cerca de 45% da população em situação de pobreza, contrastando com 11-13% em condições acima da média, um cenário que se agrava com a escassez de combustível e o êxodo de mais de 1 milhão de cubanos desde 2021.




