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Criança morre de sarampo em Nova York; surto se agrava nos EUA

03 de novembro de 2026
Criança morre de sarampo em Nova York; surto se agrava nos EUA

Destaques

  • •Primeira morte por sarampo em Nova York em 30 anos acende alerta sobre queda na vacinação nos EUA.
  • •Cobertura vacinal contra sarampo nos EUA caiu para 92,4%, deixando milhões de crianças desprotegidas.
  • •Autoridades de saúde reforçam a importância da vacina MMR e alertam para o risco de novas mortes e complicações.

Uma criança morreu de sarampo no condado de Lewis, norte do estado de Nova York, nesta segunda-feira (2). Este é o primeiro óbito registrado pela doença na região em cerca de 30 anos, desde o início da década de 1990. A morte ocorre em meio a um surto que já contabiliza 178 casos no estado e na cidade de Nova York até 24 de outubro, e um número crescente de casos em todo o país. A governadora Kathy Hochul declarou estado de emergência em Nova York para combater o avanço da doença.

Queda na cobertura vacinal e desinformação

A morte da criança é um lembrete da importância da vacinação, segundo autoridades de saúde. Nos Estados Unidos, a taxa de vacinação contra o sarampo caiu para menos de 95%, patamar abaixo do ideal para prevenir surtos. Entre crianças em idade de jardim de infância, a cobertura com as duas doses recomendadas da vacina tríplice viral (SCR) diminuiu de 95,2% no ano letivo de 2019-2020 para 92,4% em 2025-2026. Isso significa que aproximadamente 280 mil crianças não estão adequadamente protegidas apenas neste ano letivo. Em todo o país, estima-se que 1,7 milhão de crianças não se vacinaram contra a doença nos últimos sete anos. Essa queda na vacinação ocorre em um contexto de disseminação de desinformação e disputas políticas, com discursos antivacinação endossados por figuras políticas, que associam a vacina ao autismo, tese já derrubada pela ciência.

Medidas de emergência e reforço da vacinação

Em resposta ao surto, a governadora Kathy Hochul declarou estado de emergência, ampliando o número de profissionais de saúde elegíveis para administrar a vacina contra o sarampo. O Departamento de Saúde do Estado de Nova York e o Departamento de Saúde Pública do Condado de Lewis emitiram um comunicado conjunto, instando os nova-iorquinos a garantirem que suas vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola (SCR) estejam em dia. As orientações atuais recomendam que bebês a partir de 6 meses recebam uma dose precoce da vacina MMR (tríplice viral) se estiverem viajando ou em áreas com transmissão da doença. A governadora Hochul lamentou o ocorrido, classificando o caso como um "lembrete devastador" e relacionando o óbito a políticas anteriores que, segundo ela, minaram a confiança pública nas vacinas pediátricas.

O que é o sarampo e como se prevenir

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, cujos sintomas incluem febre alta, tosse seca, irritação nos olhos, mal-estar intenso e manchas vermelhas no corpo. As complicações mais graves podem levar à pneumonia, encefalite (inflamação no cérebro) e morte. Um indivíduo infectado pode transmitir o vírus para até 18 pessoas. A vacina tríplice viral (SCR) é a principal forma de prevenção contra a doença, protegendo contra sarampo, caxumba e rubéola. Nos Estados Unidos, a recomendação é de que ela seja aplicada em duas doses: uma a partir do um ano de idade e a segunda até os seis anos. O país enfrenta um desafio, pois a vacina MMR não é gratuita e o acesso é restrito a quem tem seguro saúde ou é coberto pelo Medicaid, o que dificulta a imunização.

Cenário nos EUA e no Brasil

Os Estados Unidos somam 4.852 casos neste ano, mais que o dobro dos casos de 2025. O país tem o maior número de mortes pela doença desde 1992. Comunidades Amish, onde as taxas de vacinação tendem a ser mais baixas, foram particularmente afetadas. A taxa de imunização varia de estado para estado, com apenas 10 dos 49 estados avaliados mantendo a proteção acima de 95%. No Brasil, a cobertura vacinal completa contra o sarampo está abaixo de 80%, mas o país registrou apenas 42 casos neste ano, graças a um sistema de vigilância e resposta rápida. O Brasil recuperou o status de país que eliminou o sarampo em 2024, mas a cobertura vacinal precisa continuar subindo.

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