Cotações de commodities agrícolas caem com real mais forte e estoques altos

Destaques
- •Contratos futuros de café arábica recuaram 2,39% em Nova York, pressionados pela perspectiva de aumento de vendas brasileiras e maior volume de estoques.
- •Cacau e açúcar registraram recuperação após perdas na véspera, enquanto algodão e suco de laranja fecharam em queda.
- •Acompanhar a evolução dos estoques e a política cambial brasileira para entender o comportamento dos preços das commodities.
As cotações de importantes commodities agrícolas registraram movimentos mistos nesta terça-feira (27) na bolsa de Nova York, com destaque para a queda do café arábica. A perspectiva de aumento nas vendas de café brasileiro e a chegada de novos lotes para classificação pressionaram os contratos futuros, que recuaram 2,39%, encerrando a sessão a US$ 2,93 por libra-peso. A desvalorização do real frente ao dólar, que caiu 8,8% na sessão anterior e recuperou 1,3% neste pregão, tende a estimular as exportações brasileiras, pois produtores e comerciantes obtêm mais reais por cada dólar recebido.
Apesar da pressão de oferta, os estoques certificados de café arábica recuaram em 788 sacas, para 224.822 sacas, atingindo o menor nível em um mês e meio. O volume permanece próximo da mínima de 27 anos, o que mantém a atenção do mercado sobre a disponibilidade do produto.
Cacau e Açúcar se recuperam, Algodão e Suco caem
Os preços futuros do cacau, por outro lado, apresentaram recuperação, avançando 1,58% e encerrando a sessão a US$ 5.577 por tonelada. A alta foi impulsionada por sinais de redução da oferta na África Ocidental. Dados do governo da Costa do Marfim indicaram que as entregas de cacau nos portos caíram 46% na semana encerrada em 25 de outubro, comparado ao mesmo período do ano anterior.
Os contratos futuros de açúcar também registraram recuperação, com o vencimento para entrega em março avançando 0,52%, a 19,20 centavos de dólar por libra-peso. A alta ocorreu após uma forte desvalorização na segunda-feira, influenciada pela queda do real. A recuperação parcial da moeda brasileira contribuiu para estabilizar as cotações, uma vez que o Brasil é o maior produtor mundial de açúcar e tem influência direta nos preços internacionais.
Em contrapartida, os contratos futuros de algodão encerraram a sessão em queda de 1,26%, fechando a 78,06 centavos de dólar por libra-peso. A colheita da safra norte-americana avançou rapidamente, contribuindo para o aumento das operações de retirada do produto. As condições das plantações também apresentaram piora na avaliação final da temporada.
O contrato futuro do suco de laranja com vencimento em janeiro recuou 0,90%, encerrando a sessão cotado a US$ 1,43 por libra-peso.
O que esperar dos mercados
A dinâmica cambial, com a valorização do real, tende a favorecer as exportações brasileiras de commodities, aumentando a oferta no mercado internacional e pressionando os preços para baixo. No entanto, fatores como a oferta global, estoques e condições climáticas em regiões produtoras continuam sendo determinantes para a formação das cotações.
O mercado continuará atento aos dados de estoques de café e cacau, bem como ao andamento da colheita e das exportações de açúcar e algodão. A política cambial brasileira e os eventos geopolíticos globais também podem influenciar o comportamento dos preços das commodities nas próximas sessões.
Matérias originais
- Café arábica recua 2,39% em Nova York com pressão do câmbio no Brasil · cnnbrasil.com.br



