Cortes em benefícios sociais podem retrair economia de 4.000 municípios

Destaques
- •Estudo do Made-USP aponta retração de até 10,8% na renda agregada do interior sem valorização real dos benefícios.
- •Quase 3 milhões de pessoas podem ser empurradas para a pobreza, sendo 2,4 milhões para a extrema pobreza, sem ganhos reais.
- •Acompanhar a política de reajuste de aposentadorias, Bolsa Família e BPC é crucial para a economia local.
A estagnação ou cortes no valor de benefícios sociais e previdenciários podem causar uma retração severa na atividade econômica em cerca de 4.000 municípios do interior do Brasil. É o que aponta um levantamento do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made-USP), da USP.
Esses pagamentos, como aposentadorias e Bolsa Família, representam quase metade do orçamento das famílias mais pobres nessas cidades. O dinheiro circula imediatamente no comércio local, garantindo empregos e a arrecadação municipal.
Sem reajustes reais, a renda agregada do interior pode sofrer uma retração de 6,8% a 10,8% nos próximos três anos. Isso geraria uma reação em cadeia na atividade econômica.
Além disso, o estudo projeta que a ausência de ganhos reais nos benefícios de 2022 a 2025 empurraria aproximadamente 2,7 milhões de pessoas para a pobreza nos municípios fora das regiões metropolitanas, sendo 2,4 milhões para a extrema pobreza.
