Convergência tecnológica: IA, biotecnologia e robótica apontam para nova revolução

Destaques
- •A convergência de IA, biotecnologia, robótica, novos materiais e energia sugere uma possível sexta revolução tecnológica.
- •Investimento global em IA atingiu US$ 581,7 bilhões em 2025, com custos de inferência em queda acentuada.
- •O Brasil precisa construir competências para não perder a janela de oportunidade de uma nova onda tecnológica.
Será que a próxima grande revolução tecnológica já está em curso, enquanto ainda tentamos digerir a anterior? A hipótese de uma sexta revolução tecnológica ganha força com a convergência de áreas como inteligência artificial, biotecnologia, robótica, novos materiais e energia.
A economista Carlota Perez, referência no assunto, identifica cinco ondas tecnológicas desde 1771, sendo a última a da tecnologia da informação, iniciada em 1971. Para ela, uma nova revolução precisa elevar a produtividade em diversos setores, reunir tecnologias que se reforcem mutuamente e criar infraestrutura para ampliar mercados.
O investimento corporativo global em IA em 2025 foi de US$ 581,7 bilhões, segundo o AI Index 2026 da Universidade Stanford. Paralelamente, o custo de inferência de modelos de IA caiu drasticamente, lembrando mecanismos históricos de difusão tecnológica.
A evidência mais intrigante surge quando sistemas de IA aceleram a pesquisa em áreas como proteínas e materiais, aproximando o código digital do mundo físico e biológico. A base AlphaFold, do Google DeepMind, disponibilizou previsões de estruturas de mais de 200 milhões de proteínas.
No entanto, a Agência Internacional de Energia projeta que data centers consumirão 945 TWh de eletricidade em 2030, mais que o dobro de 2024, indicando a necessidade de infraestrutura física e capital intensivo. Para o Brasil, a distinção é crucial: se for uma nova onda, abre-se uma janela para construir competências antes que as hierarquias globais se consolidem.



