Conselheiros de Luxo: O Dilema da Remuneração no Mercado Brasileiro

Destaques
- •Gestora Squadra critica altos custos de conselheiros na Hapvida, que podem chegar a R$ 57 milhões em 2026.
- •Empresas brasileiras pagam remuneração fixa em dinheiro para conselheiros, diferentemente dos EUA e Europa, onde ações são comuns.
- •A Vivara propôs um plano de stock options para um conselheiro que vale mais de R$ 60 milhões, gerando críticas.
A Squadra, dona de quase 7% da Hapvida, mandou um recado público: os conselheiros de administração da operadora custarão R$ 57 milhões em 2026, o que representa 20% do lucro projetado. Detalhe: nenhuma outra empresa do Ibovespa tem um conselho tão caro proporcionalmente.
Essa conta salgada na Hapvida expõe um problema maior: como as empresas brasileiras remuneram seus conselheiros é um tanto quanto... peculiar. Diferente dos EUA e Europa, onde é praxe pagar parte do cachê em ações (as famosas RSUs), por aqui, 80% das companhias pagam honorários fixos em dinheiro, sem vínculo com o desempenho da empresa.
A prática brasileira trata conselheiros mais como prestadores de serviço do que guardiões do longo prazo. A Vivara tentou inovar com um plano de stock options para um conselheiro que pode valer mais de R$ 60 milhões, mas a ideia não agradou a todos, com um gestor chamando o arranjo de "frankenstein de governança". O ponto é que, para alinhar interesses, o ideal seria um Incentivo de Longo Prazo (ILP) com vesting longo, como fazem Totvs e Itaú, garantindo que quem decide e quem carrega o risco estejam no mesmo barco. 💰




