Código Florestal vira ativo estratégico para o Brasil no mercado global

Destaques
- •Estudo da CNI e IPAM aponta potencial de R$ 20,6 bilhões anuais com Cotas de Reserva Ambiental.
- •Restauração de passivos ambientais pode gerar até 3,1 milhões de empregos.
- •Avanço da agropecuária em áreas protegidas da Amazônia é uma ameaça à conservação.
O Código Florestal brasileiro está deixando de ser apenas uma exigência legal para se tornar um ativo estratégico. Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) revela que a conformidade ambiental pode impulsionar a inserção do Brasil nos mercados globais e na agenda climática internacional.
A pesquisa destaca que a regularização de 20 milhões de hectares de passivos ambientais tem potencial para criar até 3,1 milhões de empregos. Além disso, o país possui um estoque de 70 milhões de hectares de vegetação nativa excedente, que pode ser monetizado através do mercado de Cotas de Reserva Ambiental.
Este mercado, com valor referencial de R$ 500 por hectare ao ano, tem potencial para movimentar cerca de R$ 20,6 bilhões anuais. Para a indústria, isso representa uma oportunidade para reduzir custos de compliance, atrair investimentos ESG e monetizar a conservação.
No entanto, o estudo aponta gargalos na implementação do Código Florestal, como a lentidão na validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a insegurança jurídica em algumas regiões. Paralelamente, dados do MapBiomas indicam que a agropecuária avança sobre áreas protegidas na Amazônia, ocupando 30,5% desses locais em 2025, o que representa uma ameaça à conservação do bioma.

