Cleam Capital foca em lucros mensais e dividendos, não em unicórnios

Destaques
- •Family office com R$ 5 bilhões sob gestão busca aquisições de empresas maduras e lucrativas.
- •A estratégia difere do venture capital, priorizando a geração de dividendos e a mitigação de riscos.
- •A Cleam Capital nunca vendeu uma empresa do portfólio, mantendo ativos por longos períodos.
Enquanto o mundo do venture capital persegue o próximo unicórnio, a Cleam Capital, um family office com R$ 5 bilhões sob gestão, navega em águas distintas. A estratégia da casa, liderada por Eduardo Lacet, CEO, foca em negócios que já provaram seu valor e geram lucro todo mês, dispensando a necessidade de múltiplos elevados ou prazos de saída definidos.
A filosofia é clara: não conviver com prejuízo. Diferente do private equity e venture capital, onde perdas podem ser aceitáveis, a Cleam Capital busca mitigar riscos e não aposta em apostas. A tese principal envolve a aquisição de empresas de institucionais, especialmente carve-outs de grandes grupos, focando em negócios maduros, com marca relevante e participação de mercado consolidada.
Um exemplo notável é a Omnilink, empresa de tecnologia para transporte de cargas. Adquirida em 2019 por R$ 79 milhões, hoje é avaliada em cerca de R$ 3,2 bilhões, segundo Lacet. A empresa lançou recentemente o Pneu Conectado, com projeção de faturar R$ 300 milhões em 2027 apenas com este produto.
A Cleam Capital se assemelha a um continuation fund, comprando empresas mais perto do fim do ciclo de fundos tradicionais. A casa nunca vendeu um ativo, com o mais antigo há 15 anos no portfólio, priorizando a melhoria contínua e a distribuição de dividendos. O cenário de juros altos, embora desafiador para outros, cria mais oportunidades de M&A para a Cleam, pois pressiona o valor das empresas, tornando as aquisições mais acessíveis.



