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Ciência explica: Por que mudamos gostos em relacionamentos

21 de outubro de 2026
Ciência explica: Por que mudamos gostos em relacionamentos

Destaques

  • •Mecanismos neurobiológicos e emocionais explicam a alteração de gostos em relacionamentos afetivos.
  • •Neurônios-espelho e o circuito de recompensa, com liberação de dopamina e ocitocina, facilitam a adoção de novas preferências.
  • •Psicólogos alertam para a diferença entre expandir o repertório e perder a própria identidade em nome do vínculo.

A ciência e a psicologia explicam que a mudança de gostos, como apreciar novas músicas ou comidas, ao se estabelecer um vínculo afetivo profundo é motivada por mecanismos neurobiológicos e emocionais específicos. Esses mecanismos conectam o sistema de recompensa do cérebro à necessidade humana de pertencimento, levando à internalização das preferências do parceiro.

No nível cerebral, o sistema de neurônios-espelho desempenha um papel crucial. Esse sistema, que simula internamente ações observadas, é ativado quando uma pessoa demonstra prazer genuíno ao experimentar algo. Ao observar essa reação, os neurônios-espelho do observador reproduzem a experiência internamente, diminuindo barreiras cognitivas e facilitando a adoção da nova preferência.

O papel do circuito de recompensa e hormônios

Além do sistema-espelho, o circuito de recompensa, mediado pela dopamina, é central nesse processo. A convivência e o carinho liberam substâncias como dopamina e ocitocina, que geram sensações de segurança e bem-estar. Estímulos neutros ou desconhecidos presentes nesses momentos passam a ser associados a essa carga emocional positiva.

A psicóloga Alessandra Araújo explica que a dopamina atua como um mensageiro da saliência motivacional. "Quando você é exposto a um novo estímulo em um contexto de afeto e alta liberação dopaminérgica, o cérebro reavalia o valor daquele objeto ou experiência para cima", afirma. O afeto, segundo ela, funciona como um "intensificador sensorial", tornando a experiência mais prazerosa devido ao ambiente de segurança.

Flexibilidade versus perda de identidade

Sob a ótica da psicologia clínica, a busca por pertencimento e a vontade de criar familiaridade impulsionam a aproximação dos universos pessoais. O cérebro adulto mantém a neuroplasticidade, permitindo a reorganização de conexões neurais ao longo da vida a partir de vivências emocionalmente marcantes.

No entanto, existe uma linha tênue entre a expansão saudável do repertório individual e a anulação das próprias preferências. A psicóloga clínica Layana Paiva ressalta a importância de observar as motivações por trás dessas adaptações para evitar a perda da própria essência. "Uma coisa é experimentar algo porque queremos compartilhar uma experiência com quem amamos. Outra é abandonar aquilo de que gostamos porque acreditamos que, se formos diferentes, deixaremos de ser desejados", alerta.

A perda de identidade ocorre quando a adaptação deixa de ser uma escolha espontânea e passa a ser encarada como uma exigência para a manutenção do vínculo. Em uma relação saudável, deve haver espaço para a manifestação do desacordo e de gostos particulares sem o receio do abandono.

Ressignificação de memórias após términos

As marcas deixadas pelos relacionamentos estendem-se para além do fim das convivências. Elementos associados ao vínculo, como músicas ou lugares, podem adquirir novos significados emocionais com o fim de um ciclo. Inicialmente, podem provocar nostalgia ou dor.

Com o tempo e o distanciamento emocional, ocorre um processo de ressignificação. As escolhas adquiridas durante a convivência passam por um filtro individual, em que o indivíduo avalia se o hábito incorporado faz sentido para sua jornada independente ou se estava atrelado apenas à presença do outro.

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