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China planeja reduzir importação de soja; Brasil busca diversificar mercados

08 de novembro de 2026
China planeja reduzir importação de soja; Brasil busca diversificar mercados

Destaques

  • •China projeta queda de 26% nas importações de soja até 2035, buscando autossuficiência e reduzindo dependência externa.
  • •Brasil, maior fornecedor mundial, se prepara para o cenário com foco em diversificação de mercados e agregação de valor à produção.
  • •Acompanhar a velocidade da implementação das medidas chinesas e o desenvolvimento de novas demandas globais será crucial para o agronegócio brasileiro.

A China, principal compradora de soja do Brasil, planeja reduzir suas importações do grão em aproximadamente 26% até 2035, conforme divulgado em seu último plano quinquenal. Essa estratégia visa aumentar a produção doméstica, aprimorar a produtividade e diminuir a dependência de fornecedores externos. O Brasil, que em 2025 comprou 85,4 milhões de toneladas de soja brasileira, vê nesse movimento um risco significativo, mas também uma oportunidade para reestruturar sua cadeia produtiva e diversificar mercados.

Redução da demanda chinesa e concorrência

A projeção chinesa de importar cerca de 82,55 milhões de toneladas de soja em 2035, contra os 111,83 milhões de toneladas em 2025, é impulsionada por diversos fatores. Entre eles, o retorno da China às compras de soja dos Estados Unidos após a guerra comercial, o esforço para ampliar a produção interna e a projeção de queda na população, que pode reduzir a demanda por alimentos ricos em proteína. Embora a soja brasileira mantenha uma vantagem tarifária de 10 pontos percentuais sobre a norte-americana na China, a possibilidade de compras americanas além do acordado gera preocupação. Especialistas como o presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, consideram improvável que os EUA voltem a exportar volumes massivos, mas a adaptação do mercado é vista como necessária.

Historicamente, a participação de EUA e Brasil nas importações chinesas era mais equilibrada. Em 2016, os EUA forneciam 41% e o Brasil 45%. Desde 2017, com as disputas comerciais, a China ampliou as compras brasileiras, que bateram recorde em 2025 com quase 64 milhões de toneladas. A busca por autossuficiência é uma prioridade do plano chinês, que já elevou a produtividade da soja local em 80% nos últimos 40 anos. Projeções indicam que a participação do farelo de soja na alimentação animal pode cair de 14,5% para menos de 10% até 2030.

Estratégias para o agronegócio brasileiro

Diante do cenário de possível retração da demanda chinesa, o setor agropecuário brasileiro precisa se adaptar. Especialistas recomendam evitar a ampliação da área plantada de soja e investir no processamento do grão para agregar valor à produção. A diversificação de mercados, com foco em países asiáticos como a Índia, e o estímulo ao consumo interno, como o aumento da mistura de biodiesel ao diesel, são estratégias importantes. A busca global por alternativas de menor emissão de carbono, como os biocombustíveis, também pode beneficiar os produtores brasileiros.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por meio do chefe-geral Adilson de Oliveira Junior, aponta que a China investe em tecnologia e genética para aumentar a produção interna. Ele também destaca a tendência de redução da demanda por soja importada devido à estabilização populacional e mudanças na composição das rações. A pesquisa genética e o uso de aminoácidos podem otimizar a alimentação animal, reduzindo a necessidade de soja.

Novos mercados e desafios ambientais

A África surge como uma possibilidade de mercado, com investimentos chineses em infraestrutura no continente. A Embrapa já coopera com países africanos em transferência de tecnologia. No entanto, obstáculos como capital humano e estabilidade política podem limitar o desenvolvimento rápido da produção africana, segundo Lucas Costa Beber. Outro desafio relevante para o agronegócio brasileiro são as exigências ambientais da União Europeia, que demandam rastreabilidade e comprovação da origem da produção para combater o desmatamento.

Para Adilson de Oliveira Junior, da Embrapa, é fundamental demonstrar os avanços ambientais obtidos nas propriedades rurais por meio de indicadores e tecnologia. A instituição desenvolve pesquisas em agricultura de baixo carbono e mensuração de indicadores ambientais para comprovar a sustentabilidade da produção brasileira, respondendo também às crescentes exigências de sustentabilidade impostas pela própria China.

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