Chile: Desemprego em alta e economia estagnada afetam governo Kast

Destaques
- •Chile registra taxa de desemprego de 9,8%, a maior em cinco anos, com mais de 1 milhão de desocupados.
- •Economia chilena projeta retração de 0,8% no PIB no terceiro trimestre, com previsões de crescimento reduzidas para 2026.
- •Governo do presidente José Antonio Kast pede paciência e aposta em reforma tributária para reverter cenário de pessimismo popular e crise econômica.
O Chile enfrenta uma grave crise econômica e social, com o desemprego atingindo 9,8% no trimestre de julho a setembro, o nível mais alto em cinco anos, superando a marca de um milhão de desempregados. A economia do país acumula meses de quedas consecutivas, e o apoio popular ao presidente José Antonio Kast despencou, com 64% de desaprovação, sete meses após assumir o cargo com alto índice de aprovação.
Crise no Mercado de Trabalho
A taxa de desemprego de 9,8%, divulgada pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), representa um aumento significativo, com a eliminação de quase 103 mil postos de trabalho nos últimos 12 meses. O fenômeno afetou de forma desproporcional mulheres, jovens e pessoas que buscam inserção no mercado de trabalho pela primeira vez. Há também disparidades regionais, com taxas de desemprego de 10,2% em regiões como Valparaíso e O’Higgins, indicando dificuldades em setores como logística e comércio.
Estagnação Econômica e Projeções Pessimistas
No âmbito macroeconômico, o Banco Central projeta uma retração de 0,8% no Produto Interno Bruto (PIB) ao final do terceiro trimestre, apesar de uma leve recuperação anual de 0,2% no Índice Mensal de Atividade Econômica (Imacec) em setembro. As projeções de crescimento para 2026 foram drasticamente reduzidas para uma faixa entre 0,25% e 0,75%, distanciando-se do compromisso do governo de alcançar mais de 4% de crescimento até 2030. A retração é impulsionada pela mineração, que caiu 12,6%, e pelo aumento do custo de vida, que chegou a 4,1% em agosto.
Estratégia do Governo e Reação Popular
Diante do cenário, o governo de Kast pede paciência e confiança na sua estratégia de ajuste fiscal e cortes de impostos, focada na redução do imposto sobre empresas de 27% para 23% e na garantia de estabilidade tributária. O ministro da Economia, Daniel Mas, defende que a administração busca impulsionar o país. No entanto, especialistas como Juan Ortiz descrevem 2026 como "um ano para esquecer", e Francisco Castañeda alerta que os cortes de impostos podem não ser suficientes ou rápidos para a crise atual. A população demonstra pessimismo, com 82% dos entrevistados afirmando que o desempenho do Executivo ficou abaixo das expectativas. Há forte oposição popular a cortes sociais para o equilíbrio fiscal, com apenas 19% dispostos a aceitar a redução de programas públicos.
Matérias originais
- Desaprovação do governo Kast atinge 64% em meio à crise econômica no Chile · operamundi.uol.com.br



