CEO da AZ Quest: Credibilidade do governo pode reduzir juros em R$ 350 bi/ano
Destaques
- •Walter Maciel, CEO da AZ Quest, afirma que a recuperação da credibilidade governamental é essencial para reduzir o gasto com juros em R$ 350 bilhões anuais.
- •O executivo detalha que a queda da taxa básica de juros, de 13,75% para 9,50%, seria possível com a melhora da percepção de risco do Brasil.
- •A perspectiva para o mercado de gestão de fundos é de aversão ao risco prolongada, afetando gestoras de menor porte.
A recuperação da credibilidade do governo brasileiro é o único caminho sustentável para aliviar a pressão sobre o orçamento público e reduzir significativamente os gastos com juros. Segundo Walter Maciel, fundador e CEO da AZ Quest, se o governo reconquistar a confiança do mercado, a taxa básica de juros (Selic) poderia cair de 13,75% para 9,50%. Essa redução, de acordo com o executivo, representaria uma economia anual de aproximadamente R$ 350 bilhões nos gastos com juros, o que, por si só, resolveria o problema fiscal do país.
O impacto do custo da dívida pública
Maciel explicou, durante o programa Stock Pickers, que o alto montante gasto com juros é uma consequência direta do desequilíbrio nas contas públicas, e não a causa primária. Ele ressaltou que uma melhora na percepção de risco do Brasil abriria espaço para uma queda expressiva nas taxas de juros, gerando alívio fiscal sem a necessidade de intervenções artificiais na economia. A confiança do mercado, portanto, teria um impacto direto e substancial no orçamento público.
Cenário para empresas e investimentos
O atual patamar elevado da taxa básica de juros penaliza especialmente as empresas de médio e pequeno porte, dificultando a rolagem de suas dívidas e a geração de caixa. Por outro lado, a escassez de recursos públicos abre espaço para o financiamento privado em setores estratégicos. Isso favorece a aplicação em papéis de crédito privado de alta qualidade em detrimento de estratégias de renda variável.
Perspectivas para o mercado de gestão de fundos
A indústria de gestão de fundos deve enfrentar um ambiente prolongado de aversão ao risco por parte dos investidores. Maciel avalia que esse momento desafiador afetará diretamente as casas de menor porte, com menor patrimônio sob gestão, que podem vir a fechar as portas. No entanto, ele não prevê uma onda generalizada de fusões, explicando que a consolidação ocorre principalmente na parte de fundos de longo prazo, como os alternativos, onde uma gestora pode adquirir outra e integrar seu patrimônio.


