Tecnologia & NegóciosRelevância BR: 9/10

Cemeai: 11 anos de matemática aplicada conectando academia e indústria

27 de outubro de 2026
Cemeai: 11 anos de matemática aplicada conectando academia e indústria

Destaques

  • •O Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (Cemeai) completa 11 anos de atuação na ponte entre a pesquisa acadêmica e as demandas do setor produtivo.
  • •Iniciativas como o desenvolvimento de IA para detecção de tumores e otimização logística para a Petrobras demonstram o impacto prático da matemática aplicada.
  • •Apesar dos avanços, desafios persistem na colaboração entre academia e indústria, com a academia buscando maior abertura e a indústria precisando investir mais em pesquisa.

O Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (Cemeai), fundado em junho de 2013 como um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP, celebra 11 anos de atuação na conexão entre a pesquisa acadêmica e as necessidades do setor produtivo. Idealizado pelo matemático José Alberto Cuminato, o centro se inspirou em modelos internacionais para fomentar a aplicação da matemática na solução de problemas reais de empresas.

A proposta do Cemeai, descrita por Cuminato como "a venda de terrenos na Lua", consistia em buscar financiamento para, a partir dele, identificar demandas industriais e desenvolver projetos de pesquisa. Essa abordagem inovadora, mesmo incomum, obteve apoio financeiro da FAPESP e resultou em diversas iniciativas, incluindo 12 edições do Workshop de Soluções Matemáticas para Problemas Industriais.

Geometria de Proteínas e Novos Medicamentos

Um dos campos de atuação do Cemeai é a geometria molecular, explorada por pesquisadores como Carlile Lavor. Seu trabalho foca na compreensão da estrutura tridimensional de proteínas, essencial para o desenvolvimento de novos medicamentos. Utilizando técnicas de geometria de distâncias e representações matemáticas em cinco dimensões, Lavor busca otimizar o processo de descoberta de fármacos, reduzindo o tempo computacional.

A complexidade na determinação da estrutura de proteínas, que podem conter milhares de átomos, é amenizada por abordagens matemáticas que lidam com a incerteza dos dados obtidos por ressonância magnética nuclear. A conversão da estrutura 3D para um espaço abstrato de cinco dimensões permite capturar movimentos de translação e rotação, facilitando a identificação da posição exata de cada átomo.

Inteligência Artificial a Serviço da Saúde e do Meio Ambiente

A inteligência artificial (IA) é outra área de destaque no Cemeai, com aplicações que vão da medicina à ciência atmosférica. João Paulo Papa desenvolveu uma IA para auxiliar na identificação de tumores no esôfago durante endoscopias, utilizando redes neurais com representações matemáticas baseadas em números complexos para aprimorar o aprendizado da máquina.

Davidson Moreira, por sua vez, aplica IA em ciências atmosféricas para previsão do tempo, eventos extremos e mudanças climáticas. Ele ressalta que a IA atua como um forte elo entre universidades e empresas, permitindo a solução rápida de problemas que dispõem de dados confiáveis.

Otimização Logística e o Futuro do Cemeai

No setor de óleo e gás, o Cemeai colaborou com a Petrobras no desenvolvimento de algoritmos para otimizar o movimento de petróleo de plataformas em alto-mar para terminais costeiros. O projeto, liderado por Reinaldo Morabito, visou reduzir custos, tempo e a necessidade de embarcações, aumentando a eficiência logística da operação.

Desde julho de 2026, o Cemeai deixou de ser um CEPID da FAPESP e passou a integrar a iniciativa Cepix da USP. O atual diretor, Francisco Louzada Neto, planeja expandir os workshops para outras regiões do país e fortalecer parcerias com outras instituições. O centro também inspirou a criação do Centro Pi do Impa, que atua em projetos como o monitoramento de chuvas no Rio de Janeiro.

Apesar dos avanços, Cuminato e Lavor apontam desafios persistentes na relação entre academia e indústria. A academia precisa de maior abertura para projetos fora do ambiente universitário, enquanto a indústria demonstra comodismo ao preferir a compra de tecnologia estrangeira pronta em vez de investir em pesquisa nacional, que, embora mais demorada, oferece soluções mais adaptáveis e sustentáveis a longo prazo.

Matérias originais

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas

Cemeai: 11 anos de matemática aplicada conectando academia e indústria | AINewz | AINewz — Inteligência de Notícias