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Casas do futuro: Inovação em sustentabilidade e flexibilidade habitacional

24 de outubro de 2026
Casas do futuro: Inovação em sustentabilidade e flexibilidade habitacional

Destaques

  • •Projetos inovadores buscam otimizar o uso do espaço e reduzir custos com materiais sustentáveis e design flexível.
  • •Empreendimentos como SAWA, em Roterdã, utilizam madeira laminada cruzada (CLT) e priorizam a biodiversidade e a geração de créditos de carbono.
  • •A tendência é integrar a moradia à comunidade, com foco em mobilidade sustentável e bem-estar dos moradores.

A habitação está passando por uma revolução global, focando em casas mais inteligentes, eficientes e sustentáveis. Projetos inovadores em diversas partes do mundo buscam atender às altas expectativas dos moradores por privacidade, segurança, conforto e estilo, ao mesmo tempo em que reduzem custos de construção e impacto ambiental. Exemplos apresentados em eventos como o Utopian Hours, em Turim, na Itália, demonstram soluções que atraem tanto investidores quanto compradores.

Um dos conceitos em destaque é a Beyome, desenvolvida pelo Enorme Studio na Espanha. Trata-se de uma casa compacta e flexível, projetada para maximizar o aproveitamento de cada ambiente ao longo do dia. Com paredes móveis, a Beyome permite transformar cômodos, como quartos, em áreas comuns, otimizando o uso do espaço em residências urbanas de até 74,3 m². Essa versatilidade também a torna uma opção sustentável para o mercado de locação, pois se adapta às necessidades dos inquilinos sem a necessidade de reformas.

Inovação em construção e sustentabilidade

Em Roterdã, na Holanda, o empreendimento SAWA, da NICE Developers, exemplifica a vanguarda da construção sustentável. Com 109 unidades habitacionais, o projeto utilizou um método construtivo inspirado na montagem da IKEA, com estrutura pré-fabricada de madeira laminada cruzada (CLT) e margens de erro mínimas. Essa abordagem não só reduziu o tempo de construção e os riscos para empreiteiros, mas também minimizou as emissões de carbono.

O SAWA incorpora a biodiversidade em seu design, com fachadas e terraços equipados com jardineiras e estruturas para abrigar a vida selvagem. O edifício é projetado para otimizar o conforto térmico sem refrigeração mecânica, utilizando sombreamento solar passivo e ventilação controlada por sensores. A empresa reinvestiu lucros acima de 5% no próprio empreendimento, em uma filosofia de regeneração e devolução de benefícios ao local.

A madeira utilizada no SAWA armazena cerca de 2,5 toneladas de carbono, e os moradores recebem certificados de compensação que podem gerar receita. A possibilidade de desmontar o edifício também agrega valor, estimado em até 10%.

Materiais, design e comunidade

Outros projetos em Roterdã, como o Tree House (300 moradias) e o Flow Town (3 mil moradias), também exploram a construção em madeira maciça e materiais de base biológica, com foco em neutralidade de carbono, captação de água da chuva e geração de energia solar. A Prefeitura de Roterdã destaca que a redução das emissões de CO₂ é um dos principais impulsionadores da inovação habitacional na cidade.

Em Los Angeles, o escritório SPF:a explora o uso de alumínio e painéis de cimento, materiais conhecidos pela acessibilidade, sustentabilidade e reciclabilidade. O alumínio, em particular, oferece durabilidade e a possibilidade de criar efeitos visuais dinâmicos em fachadas. O escritório busca prolongar a vida útil dos edifícios, embora enfrente resistência de incorporadores que priorizam a redução de custos através da chamada "engenharia de valor", muitas vezes cortando despesas na fachada.

A questão do estacionamento também é um ponto de inflexão. Em Los Angeles, a dependência do carro é um desafio, mas projetos como os da Powerhouse em Haia e em Roterdã buscam reduzir drasticamente ou eliminar vagas de estacionamento, incentivando o uso de transporte público e bicicletas. A Powerhouse oferece milhares de espaços para bicicletas e oficinas de reparo, promovendo cidades mais caminháveis e saudáveis.

A construção das casas do futuro, segundo especialistas como Robert Winkel, da NICE Developers, envolve restabelecer a confiança entre moradores e o mercado imobiliário. A proposta é integrar as necessidades e desejos da população às construções, considerando sustentabilidade, resiliência, saúde e conforto. O futuro da habitação, portanto, vai além da estrutura individual, focando na conexão das pessoas com o lugar onde vivem e na criação de comunidades colaborativas.

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