Canva demite 22% da equipe e oferece pacote generoso de apoio

Destaques
- •A plataforma de design Canva anunciou a demissão de 1.271 funcionários, o que representa 22% de sua força de trabalho global.
- •Os demitidos receberão um pacote de benefícios que inclui seis meses de salário, assistência médica por um ano e bolsas de US$ 10 mil para empreender.
- •A empresa justifica a reestruturação pela desaceleração do crescimento e pela necessidade de adaptação tecnológica, com planos de reduzir níveis hierárquicos e aumentar o trabalho presencial.
A plataforma australiana de design Canva anunciou na terça-feira (3) uma reorganização que afetará 1.271 funcionários, o equivalente a 22% da equipe global. As mudanças incluem demissões, alterações de funções e pedidos de transferência para outras cidades. A empresa afirmou que avaliou diferentes alternativas antes de concluir que mudanças menores não seriam suficientes para preparar a empresa para os próximos anos.
A saída dos funcionários demitidos será acompanhada de um pacote de benefícios robusto. Todos os afetados receberão pelo menos seis meses de salário, além dos direitos trabalhistas previstos na legislação local. A assistência médica será mantida por 12 meses nos países onde a Canva já oferece o serviço, assim como o programa de assistência Canva Care para funcionários e familiares.
Apoio para transição de carreira e empreendedorismo
Além do suporte financeiro e de saúde, a Canva oferecerá auxílio para que os profissionais encontrem novas oportunidades. O pacote inclui orientação individual de carreira, preparação para entrevistas e uma assinatura de um ano do LinkedIn Premium. Uma parte da equipe de recrutamento da própria empresa será dedicada a ajudar os demitidos com currículos e simulações de entrevistas.
A empresa também criará um cadastro voluntário de ex-funcionários para compartilhar com investidores, parceiros e contatos do setor, facilitando a conexão com potenciais empregadores. Para aqueles que desejam empreender, a Canva anunciou a criação do Canva Collective Fund, que concederá bolsas de US$ 10 mil (aproximadamente R$ 54,8 mil) a funcionários desligados para o desenvolvimento de projetos próprios, como a abertura de negócios ou iniciativas comunitárias. O prazo para manifestar interesse é 14 de dezembro, e a empresa não exigirá participação nos negócios nem direitos sobre os projetos financiados.
Os funcionários também poderão ficar com o MacBook utilizado no trabalho, considerando que nem todos possuem um computador pessoal. A Canva declarou que, embora as notícias de hoje não sejam fáceis, a empresa se esforçará para refletir as diferentes necessidades dos funcionários no apoio oferecido.
Motivos da reestruturação
A cofundadora e presidente-executiva da Canva, Melanie Perkins, atribuiu as mudanças à desaceleração do crescimento, registrada pela primeira vez em dez anos, e à necessidade de adaptar a estrutura da empresa às mudanças tecnológicas e às novas demandas dos usuários. "Este foi nosso ano mais difícil até agora e, como compartilhamos no início deste ano, nosso crescimento desacelerou pela primeira vez em uma década", afirmou Perkins em comunicado aos funcionários.
A reestruturação visa reduzir níveis hierárquicos, integrar departamentos e dar mais autonomia a equipes menores. As áreas de Produto, Crescimento e Plataforma, por exemplo, serão reunidas em uma única estrutura para concentrar responsabilidades e agilizar a tomada de decisões. Outra mudança importante será a concentração das equipes de produto em Sydney, na Austrália, que se tornará a principal base desses profissionais. A empresa também pretende ampliar o trabalho presencial, com a expectativa de que a maioria dos funcionários em regime híbrido trabalhe no escritório de dois a três dias por semana a partir de janeiro, dependendo da região.
O que diz a pesquisa
Estudos recentes apontam que processos de reestruturação e demissões em massa podem ter impactos significativos na saúde mental dos trabalhadores. Uma pesquisa publicada na "Saúde em Debate" (2025) analisou casos de comportamento suicida e identificou que fatores psicossociais do trabalho, como falta de apoio, cultura organizacional precária e situações abusivas, contribuíram para essas ocorrências, evidenciando a relação entre trabalho e suicídio.
Outro estudo, publicado nos "Cadernos de Psicologia Social do Trabalho" (2025), investigou os impactos de demissões em massa na saúde mental de trabalhadores remanescentes. A pesquisa revelou o enfraquecimento de laços, desconfiança entre colegas, sobrecarga de atividades e aumento do ritmo de trabalho. Os sentimentos e sintomas relatados incluíram desmaios, burnout e redução compulsória de hábitos de consumo, com os trabalhadores sentindo-se ameaçados por pressões indiretas e inseguranças, comprometendo sua saúde mental.
Um terceiro estudo, da "Revista DCS" (2026), aborda como a precarização laboral e a flexibilização das relações de trabalho na contemporaneidade intensificam o sofrimento psíquico. A lógica de exigências crescentes de produtividade, instabilidade ocupacional e sobrecarga de tarefas contribui para quadros de ansiedade, depressão e esgotamento, demonstrando que o sofrimento no trabalho é uma expressão de processos sociais, econômicos e organizacionais.
Pesquisa citada
- Gestões abusivas, reestruturações e suicídios de trabalhadores
Saúde em Debate · 2025
- (Sobre)viver: impactos na saúde mental de trabalhadores remanescentes de demissões em massa
Cadernos de Psicologia Social do Trabalho · 2025
- Trabalho e saúde mental: precarização laboral, sofrimento psíquico e a produção social do adoecimento na contemporaneidade
Revista DCS · 2026



