Canetas emagrecedoras impulsionam mercado de ajustes de roupas e acessórios nos EUA

Destaques
- •Usuários de medicamentos para perda de peso nos EUA buscam alfaiates e sapateiros para ajustar roupas e acessórios que não servem mais.
- •A demanda por encurtamento de cintos e ajustes em calçados cresce, com alguns negócios apelidando a tendência de 'belt-zempic'.
- •O fenômeno também impulsiona o mercado de roupas de segunda mão e serviços de consultoria de estilo para quem está em transição de tamanho.
A popularização de medicamentos para perda de peso, como Ozempic e Mounjaro, nos Estados Unidos tem levado milhões de americanos a buscar alternativas para adaptar seus guarda-roupas. Cerca de 11% dos adultos americanos utilizam medicamentos GLP-1 para emagrecer, o que resulta em roupas que não servem mais. Em vez de comprar peças novas constantemente, muitos consumidores estão recorrendo a alfaiates, sapateiros e profissionais de reparo de artigos de couro para ajustar suas vestimentas e acessórios.
Ajustes em roupas e acessórios ganham força
Lorraine Scott, de 42 anos, gastou pelo menos US$ 300 para ajustar calças e jeans após perder cerca de 27 kg com medicamentos para perda de peso. Ela optou por reformar suas peças favoritas em vez de investir em um guarda-roupa totalmente novo, especialmente enquanto seu peso ainda oscila. A tendência de ajustes abrange não apenas roupas, mas também cintos, sapatos e alças de bolsas, adaptados aos corpos mais magros dos clientes.
Profissionais de reparo de artigos de couro relatam um aumento significativo nos pedidos. A Cobblers Direct, com lojas físicas e serviço online, viu seu negócio de encurtamento de cintos crescer dois dígitos anualmente, chegando a ajustar até 500 cintos por semana. O CEO Stephen Kelly descreve clientes chegando com vários cintos para serem reduzidos, alguns pedindo para guardar a sobra de couro como um troféu.
Economia e transição de tamanho
A pesquisa da plataforma de telemedicina Trimi, com mais de 700 usuários de GLP-1, indica que cerca de 80% usam roupas que não servem e esperam em média seis meses antes de comprar algo novo. O jeans é a peça mais afetada, com 90% dos usuários reclamando do caimento. A relutância em investir em roupas novas é reforçada pelo fato de que, após interromper o uso dos medicamentos, as pessoas recuperam em média 60% do peso perdido em um ano, segundo estudo da Universidade de Cambridge.
Na Jim's Cobbler Concierge, em Manhattan, a tendência de ajustes de cintos é tão comum que a loja a apelidou de "belt-zempic". Além de cintos, usuários de GLP-1 também percebem que seus pés diminuem, aumentando a demanda por ajustes em calçados. O diretor CJ Burgos, que também perdeu peso com Ozempic, destacou que os ajustes ajudam o negócio e os clientes a economizar.
Mercado de segunda mão e consultoria de estilo se beneficiam
A crescente popularidade dos medicamentos para perda de peso também impulsiona redes de descontos, brechós e plataformas de roupas de segunda mão. O aumento na demanda por itens de "segunda mão" ocorre porque muitos usuários evitam gastar muito em roupas novas enquanto seu tamanho continua mudando. Alon Rotem, diretor de estratégia da ThredUp, uma loja online de roupas usadas, afirma que a escala e a velocidade desse movimento são diferenciais.
A ThredUp observa que 43% dos compradores que usavam calças com cintura acima do tamanho 28 agora compram jeans menores. O serviço de consultoria de estilo pessoal Stitch Fix também está se adaptando, oferecendo mais opções de tamanhos ajustáveis e tecidos elásticos. O CEO Matt Baer estima que pelo menos 20% dos novos clientes da empresa usam medicamentos GLP-1 e buscam ajuda para encontrar novos tamanhos, evidenciando como os GLP-1 estão transformando o setor varejista.



