Vida & SaúdeRelevância BR: 9/10

Câncer de mama em homens: raro, mas exige atenção e combate ao preconceito

23 de outubro de 2026
Câncer de mama em homens: raro, mas exige atenção e combate ao preconceito

Destaques

  • •Câncer de mama em homens é raro, representando 1% dos casos, e frequentemente diagnosticado tardiamente devido ao desconhecimento e preconceito.
  • •Sintomas incluem nódulos, alterações no mamilo e na pele da mama, sendo o tratamento similar ao das mulheres.
  • •A conscientização e a busca por avaliação médica ao notar qualquer alteração são cruciais para o diagnóstico precoce e a cura.

O câncer de mama, embora mais comum em mulheres, também pode afetar homens, representando cerca de 1% de todos os casos da doença, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). A raridade e o desconhecimento sobre a condição, somados ao preconceito, levam muitos homens a demorar na busca por atendimento médico, resultando em diagnósticos em estágios mais avançados e com menores chances de cura.

O oncologista Cristiano Resende, da Oncoclínicas, explica que o principal desafio é a demora dos homens em procurar ajuda, seja por falta de informação ou por vergonha. Isso faz com que a doença seja frequentemente descoberta em fases mais graves.

Principais fatores de risco e sintomas

A incidência do câncer de mama em homens aumenta após os 60 anos, com o risco crescendo com a idade. Fatores genéticos, como histórico familiar de câncer de mama ou ovário, e alterações em genes como o BRCA2, também elevam o risco. Condições que causam alterações hormonais, como a síndrome de Klinefelter, obesidade e doenças hepáticas, podem ser outros fatores de risco.

No entanto, o médico ressalta que muitos homens diagnosticados não apresentam fatores de risco conhecidos, reforçando a importância da atenção a qualquer sinal.

O sintoma mais comum é o aparecimento de um nódulo (caroço) na mama, geralmente indolor e próximo ao mamilo, o que contribui para a demora na procura médica. Outros sinais de alerta incluem alterações no formato ou aparência do mamilo, retração, secreção (especialmente com sangue), feridas que não cicatrizam e mudanças na pele da mama. É importante notar que nem todo nódulo é câncer; a ginecomastia, por exemplo, é uma condição benigna comum em homens, mas qualquer alteração persistente deve ser investigada.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico envolve avaliação médica, histórico pessoal e familiar, e pode incluir exames de imagem como mamografia e ultrassonografia. A confirmação se dá por meio de biópsia, que também é fundamental para direcionar o tratamento.

O tratamento para homens é semelhante ao das mulheres. Em estágios iniciais, a cirurgia é comum. Radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo podem ser indicadas conforme o caso. Resende destaca que a maioria dos tumores masculinos apresenta receptores hormonais positivos, o que permite o uso de medicamentos que bloqueiam a ação hormonal, e que avanços recentes em terapias direcionadas a alterações genéticas têm beneficiado os pacientes.

O câncer de mama em homens tem grandes chances de cura quando diagnosticado precocemente.

Prevenção e o papel do preconceito

Diferentemente das mulheres, não há recomendação de rastreamento de rotina para homens. A principal orientação é o autoconhecimento e a busca por avaliação médica ao notar qualquer alteração mamária. Medidas como manter o peso adequado, praticar atividades físicas e moderar o consumo de álcool podem ajudar a reduzir o risco, mas não previnem todos os casos, especialmente os de predisposição genética.

O preconceito e a ignorância sobre o câncer de mama em homens são barreiras significativas. A percepção da doença como exclusivamente feminina leva muitos a ignorarem os sintomas. Em ambientes de saúde, como clínicas de mamografia, homens podem se sentir constrangidos. Após o diagnóstico, o receio de falar sobre o assunto persiste, e a negligência com a própria saúde agrava o quadro.

“O câncer de mama é raro nos homens, mas não pode ser ignorado. Informação, atenção aos sinais do corpo e diagnóstico precoce podem salvar vidas. E cuidar da própria saúde nunca deve ser motivo de vergonha”, conclui o oncologista.

O que diz a pesquisa

Estudos científicos indicam que a falta de conhecimento sobre o câncer de mama masculino torna os homens mais suscetíveis à neoplasia, que é rara. Uma revisão sistemática publicada na Revista Uningá em 2012 apontou que o receio e o preconceito levam homens a evitar a manifestação da doença, aumentando a vulnerabilidade e, em alguns casos, resultando em vítimas fatais ou diagnósticos tardios. A pesquisa ressaltou a necessidade de maior conscientização do público masculino.

Outra revisão de literatura, publicada na Revista Eletrônica Acervo Saúde em 2019, analisou artigos entre 2007 e 2017 e observou uma influência genética significativa no câncer de mama masculino. A neoplasia é mais frequente em homens acima de 60 anos e de cor branca, com maior incidência nas regiões Sudeste e Sul do Brasil. Concluiu-se que, embora similar em homens e mulheres, o câncer de mama masculino apresenta particularidades imuno-históquímicas, mas faltam estudos suficientes para avaliar o impacto dessas características no prognóstico e tratamento.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas

Câncer de mama em homens: raro, mas exige atenção e combate ao preconceito | AINewz | AINewz — Inteligência de Notícias