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Caminhar mais melhora atenção e autocontrole, aponta estudo

02 de novembro de 2026
Caminhar mais melhora atenção e autocontrole, aponta estudo

Destaques

  • •Aumento de passos diários está associado a melhor desempenho cognitivo, segundo pesquisa.
  • •Estudo com mais de 3 mil participantes observou que mil passos a mais por dia podem melhorar a cognição.
  • •Resultados reforçam a importância da atividade física e controle da pressão arterial para a saúde cerebral.

Um estudo publicado na revista científica Scientific Reports revelou que aumentar a quantidade de passos diários pode trazer benefícios significativos para a saúde cognitiva, incluindo melhorias na atenção, autocontrole e desempenho geral. A pesquisa, conduzida por cientistas do Baylor College of Medicine, em Houston, nos Estados Unidos, analisou dados de 3.093 participantes do programa de pesquisa “All of Us” ao longo de 14 anos.

Os voluntários, com idades entre 18 e 93 anos, tiveram sua quantidade diária de passos registrada por dispositivos eletrônicos, juntamente com medições de pressão arterial. Ao final do período de acompanhamento, foram submetidos a testes que avaliaram diversas habilidades cognitivas, como atenção visual e seletiva, impulsividade, autocontrole e reconhecimento de emoções.

Grupos de atividade e desempenho cognitivo

Os resultados indicaram uma clara correlação entre o número de passos diários e o desempenho cognitivo. Os participantes foram divididos em três grupos com base na média de passos por dia: 5.108 passos, 8.875 passos e 14.161 passos. Os participantes dos dois grupos mais ativos apresentaram pontuações superiores em testes de atenção, autocontrole e desempenho cognitivo quando comparados ao grupo menos ativo.

De forma geral, a análise apontou que um aumento estimado de mil passos diários esteve relacionado a um melhor desempenho cognitivo. Os autores do estudo destacaram que “esses resultados reforçam o papel potencial da promoção da atividade física e do controle ideal da pressão arterial no suporte à saúde cognitiva”.

Relação entre pressão arterial e cognição

Outro achado relevante da pesquisa foi a associação entre níveis de pressão arterial e a cognição. Observou-se que pressões arteriais sistólicas mais elevadas foram ligadas a resultados inferiores em testes de impulsividade e autocontrole. Paralelamente, níveis mais altos de atividade física foram associados a uma pressão sistólica mais baixa, sugerindo um efeito protetor do exercício.

O estudo também ressalta que, além de contribuir para a saúde cardiovascular e auxiliar no controle de condições como hipertensão e diabetes, a prática regular de exercícios pode estimular a neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro de se adaptar e fortalecer suas conexões neurais.

Recomendação de atividade física

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda para adultos a prática de 150 a 300 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada por semana, ou de 75 a 150 minutos de atividade física aeróbica de intensidade vigorosa, ou uma combinação equivalente. Caminhadas, natação, dança e ciclismo são exemplos de atividades que podem ser incorporadas à rotina para atingir essas metas.

Para indivíduos com mobilidade reduzida, o estudo sugere opções como exercícios realizados sentados, uso de faixas elásticas, pesos leves e atividades aquáticas, adaptando a prática às suas necessidades específicas.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na revista BMC Psychiatry em 2022 investigou a associação entre passos diários e a função cognitiva em pacientes com esquizofrenia. A pesquisa, que utilizou acelerômetros para coletar dados de passos de 394 pacientes em duas unidades psiquiátricas, constatou que um maior número de passos diários estava relacionado a melhor atenção, velocidade de processamento, tempo de reação e velocidade motora. Pacientes que davam ≥5000 passos/dia apresentaram velocidade de processamento significativamente melhor, e aqueles com ≥7500 passos/dia mostraram melhor atenção, tempo de reação e velocidade motora em comparação com os que davam menos de 5000 passos.

Este estudo, embora focado em um grupo específico, corrobora a ideia geral de que a atividade física, medida pelo número de passos, pode ter um impacto positivo na cognição. A pesquisa utilizou regressões lineares multivariadas, controlando por variáveis demográficas, estado de peso, parâmetros metabólicos e estado clínico.

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