Call of Duty: Modern Warfare 4 lança campanha elogiada, mas criticada pela curta duração

Destaques
- •Infinity Ward lança campanha de Call of Duty: Modern Warfare 4 com foco em linearidade e história envolvente.
- •Apesar de competente, a campanha é criticada pela curta duração, entre 7 e 9 horas, e pelo subdesenvolvimento de antagonistas.
- •O jogo conta com excelente dublagem em português brasileiro e introduz novos personagens carismáticos.
A Infinity Ward lançou a campanha de Call of Duty: Modern Warfare 4 (MW4), buscando corrigir as falhas de títulos anteriores como Call of Duty: Black Ops 7 e Call of Duty: Modern Warfare 3. Enquanto os antecessores foram criticados por histórias fracas e missões repetitivas, MW4 apresenta uma campanha sólida, linear e imersiva, com set pieces poderosas e uma narrativa envolvente, embora sem inovações revolucionárias.
O jogo se destaca por contar duas histórias paralelas e correlacionadas: uma invasão da Coreia do Sul pela Coreia do Norte e os desdobramentos da trama de Price e Ghost. Essa abordagem permite que novos jogadores acompanhem um esquadrão sul-coreano inédito, enquanto veteranos se conectam com o cânone clássico da série. As trajetórias se cruzam, reforçando a escala do conflito e a motivação dos antagonistas. A campanha oferece impacto e desfechos dignos para personagens importantes, mantendo a experiência similar à de um filme de ação.
Novos personagens e antagonista central
Os personagens do esquadrão sul-coreano são apresentados como jovens e inexperientes, contrastando com a postura madura de Price e Ghost. Eles demonstram sensibilidade e medo da guerra, pensando em suas vidas após a carreira militar. Por outro lado, Price e Ghost seguem como agentes de campo em uma guerra entre potências, com suas decisões impactando a relação entre as Coreias, que servem como peões em um conflito por procuração. O antagonista central é o personagem interpretado por Mads Mikkelsen, o Arqueiro, uma figura política russa que impulsiona o conflito.
Apesar do potencial, a trama de Mikkelsen é criticada por não ter tempo de tela suficiente para desenvolver suas motivações além do patriotismo e por apresentar um retcon. Autoridades norte-coreanas como o líder supremo Ri Seung-Ho e sua irmã, Ri Ju-Young, também têm presença, mas são pouco desenvolvidos. A tensão entre Price e Ghost, separados desde MW3, é pouco explorada, e o final, embora apropriado, perde força emocional pela falta de espaço para a história florescer.
Gameplay e aspectos técnicos
A campanha de MW4 é considerada curta, podendo ser concluída entre 7 e 9 horas. Essa duração limita o desenvolvimento de personagens e a exploração de motivações. O jogo é violento e trata de assuntos adultos, com violência gráfica notável, mas evita paralelos explícitos com conflitos reais.
A localização brasileira é um ponto forte, com o jogo inteiramente dublado em português, exceto por trechos em coreano. O trabalho de dublagem nacional é elogiado por sua excelência e consistência.
O gameplay mantém o design introduzido em Call of Duty: Modern Warfare (2019), com animações impecáveis, ambientes detalhados e direção sonora potente. Há um novo sistema de movimentação com parkour mais fluido, sem a velocidade exagerada de outros títulos recentes. Mecânicas como gerenciamento de recursos e exploração de espaços de mochila são introduzidas em missões específicas, servindo como introdução ao modo DMZ. O sistema de furtividade é tradicional e previsível, tornando a jogabilidade mais justa e menos frustrante. No entanto, a inteligência artificial dos inimigos permanece praticamente inalterada, avançando sem senso de autopreservação.
Fechamento de um arco narrativo
O reboot de Modern Warfare em 2019 foi um marco para a franquia, renovando a série com uma história inédita e releitura de eventos originais. Títulos subsequentes se alinharam às expectativas de Warzone, com missões abertas que lembravam o battle royale. MW4 parece encerrar o arco narrativo desse reboot, proporcionando uma sensação de clímax e desfecho para personagens que escaparam da morte por anos.
O jogo busca atrair um público maior com um esquadrão sul-coreano carismático e uma sequência que reimagina o desembarque do “Dia D” sob um contexto moderno. Apesar de uma campanha competente e um encerramento convincente, a curta duração impede a recomendação da compra apenas pela experiência single-player. A nota de 80 considera apenas a campanha, com prós como missões variadas, gráficos excelentes, novos personagens e dublagem brasileira, e contras como curta duração, personagens pouco desenvolvidos e contexto de guerra genérico.



