Braskem a caminho da recuperação judicial: dívidas e default na subsidiária mexicana apertam o cerco

Destaques
- •Braskem pode pedir proteção contra credores nas próximas semanas.
- •Dívidas da subsidiária Braskem Idesa no México em situação de default.
- •Novos controladores assumem apenas em maio, sem tempo para renegociar dívidas.
O caminho para a Braskem reestruturar suas finanças parece ter se estreitado perigosamente. Fontes indicam que a petroquímica pode solicitar uma medida de proteção contra credores nas próximas semanas, um passo que geralmente precede uma recuperação judicial.
O tempo é o maior inimigo. Os novos controladores, representados pela gestora IG4, só devem assumir o controle da Novonor (ex-Odebrecht) em maio. Isso deixa um vácuo perigoso para lidar com vencimentos de bonds internacionais que somam mais de US$ 100 milhões entre junho e julho.
A situação se agrava com a subsidiária mexicana, Braskem Idesa, que já está em default. Com uma dívida bruta de US$ 2,25 bilhões e caixa de apenas US$ 35 milhões, a Braskem Idesa negocia uma reorganização sob o Chapter 11 (equivalente à recuperação judicial nos EUA). Um contrato de suporte financeiro entre as empresas pode acionar obrigações adicionais para a Braskem caso a subsidiária não honre seus compromissos.
A pressão financeira é brutal. A companhia fechou 2025 com um prejuízo de R$ 9,9 bilhões, patrimônio líquido negativo de R$ 16,5 bilhões e alavancagem de 14,74 vezes o Ebitda. O balanço auditado pela KPMG já aponta "incerteza relevante relacionada à continuidade operacional".
A reestruturação se anuncia complexa, com 75% da dívida corporativa nas mãos de bondholders internacionais. A Braskem tem uma dívida líquida de US$ 7,5 bilhões (R$ 41,2 bilhões) e enfrenta vencimentos significativos nos próximos anos, além de ter seu acesso ao mercado de capitais fechado devido aos seus ratings de crédito. A companhia já contratou renomados assessores financeiros e jurídicos para tentar navegar essa crise. 📉




