Brasileiros querem sustentabilidade com resultados práticos, aponta pesquisa Ipsos

Destaques
- •Pesquisa Ipsos Rep360° revela que consumidores brasileiros buscam ações concretas de sustentabilidade, não apenas narrativas genéricas.
- •A maioria dos brasileiros (63%) desconfia que empresas realizam ações socioambientais apenas para melhorar imagem ou lucro.
- •Consumidores exigem que produtos sustentáveis não tenham custo adicional e que empresas sejam penalizadas por descumprimento de metas.
A terceira edição da pesquisa Ipsos Rep360°, que ouviu 6 mil consumidores das classes A, B e C em todo o país, indica um amadurecimento do brasileiro em relação ao desenvolvimento sustentável. A população agora busca ações práticas e resultados concretos, tanto em políticas públicas quanto em atividades corporativas, demonstrando menor credibilidade para narrativas genéricas sobre sustentabilidade econômica e ambiental.
A pesquisa, realizada entre 22 de setembro e 26 de outubro, também buscou construir o Índice de Percepção de Sustentabilidade Empresarial (IPSE), que avalia a visão dos cidadãos sobre as contribuições do setor privado para o desenvolvimento sustentável. Segundo Priscilla Branco, diretora de reputação corporativa e opinião pública da Ipsos, os consumidores estão mais exigentes, valorizando preço competitivo, metas mensuráveis, verificação independente e resultados ligados ao negócio.
Cresce a preocupação com o meio ambiente e a exigência por ações públicas
Preocupações com mudanças climáticas e meio ambiente, que antes tinham pouca relevância, ganharam peso significativo nos últimos anos, impulsionadas pela percepção de que os eventos climáticos se agravam e afetam a todos. A pesquisa aponta que, apesar de empresas e governo terem de trabalhar juntos, o poder público é visto como o principal agente para liderar iniciativas de desenvolvimento sustentável.
O conceito de desenvolvimento sustentável, na visão dos entrevistados, abrange progresso econômico, proteção ambiental e redução das desigualdades. Embora a percepção geral sobre essas três frentes ainda seja majoritariamente negativa, ela vem melhorando. Em 2024, a percepção de que o desenvolvimento econômico ia mal ou muito mal caiu de 37% para 35%. No aspecto ambiental, o índice passou de 43% para 35%, e no bem-estar social, de 39% para 31%.
Desconfiança e barreiras financeiras limitam a adoção de produtos sustentáveis
Apesar do crescente interesse, a maioria dos brasileiros (63%) acredita que as empresas realizam programas socioambientais apenas para melhorar sua imagem ou aumentar lucros. Apenas 30% confiam que as organizações têm interesse genuíno em contribuir para a sociedade ou o meio ambiente. Essa desconfiança se reflete na disposição de pagar mais por produtos sustentáveis: 77% dos entrevistados afirmam que as empresas deveriam oferecê-los sem custo adicional.
Entre as barreiras para a adoção de hábitos mais responsáveis, os preços mais altos dos produtos sustentáveis lideram com 52% das menções. Outros fatores incluem a falta de educação ambiental desde a infância (46%), a ausência de informações claras sobre os produtos (44%) e a dificuldade de acesso a produtos e infraestrutura sustentável (41%). Consequentemente, apenas 17% dos consumidores optam por produtos sustentáveis mesmo quando são mais caros, enquanto 57% os compram apenas se tiverem bom preço.
Responsabilização e metas verificáveis são cruciais para a credibilidade
Oito em cada dez brasileiros defendem que empresas sejam responsabilizadas por danos causados por suas atividades. A pesquisa indica que 87% concordam que as empresas devem sofrer penalidades financeiras por não cumprirem compromissos sociais ou ambientais. Além disso, 86% defendem a divulgação de informações sobre impactos sociais e ambientais verificadas por organizações independentes, e 84% acreditam que dirigentes e controladores devem ser pessoalmente responsabilizados por decisões que causem danos socioambientais.
No ranking do IPSE, a Natura liderou com 774 pontos, seguida por O Boticário (726) e Nívea (714). Empresas como Johnson&Johnson (705) e Samsung (698) também figuraram entre as mais bem posicionadas. A pesquisa também aponta que a busca por informações sobre sustentabilidade antes da compra varia conforme a renda, sendo maior nas classes A e B, e que o comportamento de compra sustentável ainda depende de fatores como preço, acesso e facilidade de encontrar informações confiáveis.


