Brasil tem três idosos entre os dez mais longevos do mundo

Destaques
- •Três brasileiros, todos nordestinos, estão entre as dez pessoas mais velhas do planeta, segundo ranking da LongeviQuest.
- •João Marinho Neto, 114 anos, é o único homem na lista e o mais velho do mundo reconhecido pelo Guinness.
- •Origem rural, trabalho no campo e alimentação simples são fatores comuns, mas genética é apontada como principal determinante da longevidade extrema.
O Brasil figura com destaque no ranking mundial das dez pessoas mais velhas do mundo, divulgado pela organização LongeviQuest. São três os representantes brasileiros na lista, todos originários da região Nordeste. O cearense João Marinho Neto, de 114 anos, é o único homem entre os dez mais longevos e também o homem mais velho do mundo, título já reconhecido pelo Guinness World Records.
A lista é liderada pela britânica Ethel Caterham, de 117 anos. A LongeviQuest é especializada no monitoramento de indivíduos com 108 anos ou mais e atualiza o levantamento continuamente, validando novos casos e registrando falecimentos.
Brasileiros na lista de longevidade
Além de João Marinho Neto, o Brasil é representado por Yolanda Beltrão de Azevedo, de 115 anos, nascida em Coruripe (AL) e que reside em Maceió. Em seguida, aparece Beatriz Ferreira Duarte, também com 115 anos. Natural de Pernambuco, ela nasceu na zona rural de Jaboatão dos Guararapes e vive no mesmo município.
João Marinho Neto, que completou 114 anos em outubro, nasceu em Maranguape (CE) e se mudou ainda criança para a zona rural de Apuiarés, onde reside atualmente em um abrigo para idosos. Ele é reconhecido como o homem mais velho do mundo.
O que explica a longevidade extrema?
Segundo a pesquisadora Iara Souza, integrante da LongeviQuest, os três brasileiros compartilham características como origem rural, histórico de trabalho no campo e uma alimentação considerada simples. No entanto, a especialista ressalta que esses fatores, isoladamente, não são suficientes para explicar a longevidade extrema alcançada.
A genética é apontada pela pesquisadora como o principal fator associado à longevidade extrema. Condições ambientais, hábitos alimentares e estilo de vida também podem contribuir, mas a base genética é considerada o determinante mais significativo para que indivíduos alcancem idades tão avançadas.
Processo de validação do ranking
A pesquisadora Iara Souza explicou que a inclusão de nomes no ranking mundial de longevidade depende de um rigoroso processo de verificação documental. Essa análise abrange registros de diferentes fases da vida dos indivíduos, com o objetivo de assegurar a exatidão da idade cronológica.
O levantamento é atualizado constantemente, à medida que novos casos de supercentenários são identificados e validados, ou quando algum integrante da lista falece. A validação documental é crucial para a credibilidade do ranking.
O que diz a pesquisa
Um estudo intitulado "Insights from Brazilian supercentenarians", publicado na Genomic Psychiatry em 2026, explora os perfis genéticos, imunológicos e metabólicos de supercentenários brasileiros. A pesquisa destaca que esses indivíduos, que frequentemente mantêm alta funcionalidade e resistência a doenças como a COVID-19 (mesmo sem vacinação), oferecem um modelo raro para o estudo da longevidade excepcional.
O estudo descreve investigações genômicas e celulares em uma coorte nacional brasileira, com o objetivo de identificar mecanismos moleculares, imunológicos e sistêmicos de resiliência. A pesquisa busca oferecer insights que possam informar estratégias para estender o período de vida saudável (health span).
Pesquisa citada
- Insights from Brazilian supercentenarians
Genomic Psychiatry · 2026
Matérias originais
- Alagoana de 115 anos é a pessoa viva mais longeva de todo o Brasil · olhardigital.com.br



