Brasil pode ter representante na direção da União Internacional de Telecomunicações

Destaques
- •Presidente da Anatel, Carlos Baigorri, é candidato oficial do Brasil para secretário-geral adjunto da UIT.
- •A eleição ocorre em novembro, em Doha, no Catar, e o brasileiro concorre contra candidatos das Bahamas e do Bahrein.
- •A conquista de um assento na diretoria da UIT é vista como fundamental para o Brasil consolidar sua liderança técnica e diplomática no setor de telecomunicações global.
Pela primeira vez na história, o Brasil tem a chance de ter um integrante na direção da União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Carlos Baigorri, é o candidato oficial do País ao cargo de secretário-geral adjunto, o número dois na hierarquia do organismo internacional.
A UIT, com sede em Genebra e membros de 194 países, foi criada em 1865 para gerenciar redes de telégrafos e hoje é responsável por administrar o espectro de radiofrequências, as órbitas de satélites e definir parâmetros para novas gerações de internet, como o 5G e o 6G. A agência é crucial para a evolução tecnológica das telecomunicações globais, sendo a base para o desenvolvimento de inteligência artificial, computação na nuvem, redes sociais e veículos autônomos.
O Brasil no comando das discussões
Carlos Baigorri declarou que o objetivo é "estar no banco do motorista nas grandes discussões, não no banco do passageiro", ressaltando que "telecom é um pedaço de algo maior, da economia digital". Para o Brasil, conquistar um assento na diretoria da UIT seria um passo fundamental para consolidar seu papel como liderança técnica no setor e para exercitar suas habilidades diplomáticas.
O País é reconhecido internacionalmente pelo alto desenvolvimento de sua internet, sendo a quinta mais veloz do mundo e com cobertura superior a 90% da população. O sucesso é atribuído, em parte, ao edital de licitação do 5G, que priorizou investimentos em expansão de cobertura em escolas, rodovias e na região Amazônica, em contraste com editais anteriores focados em arrecadação.
Neutralidade e experiência como trunfos
A neutralidade histórica do Brasil é vista como um facilitador para atuar como intermediador dentro da UIT, permitindo diálogo com países como China e Estados Unidos. Baigorri destacou que, além do conhecimento técnico, o Brasil possui credibilidade para lidar com a diversidade de interesses.
Baigorri, servidor de carreira da Anatel desde 2009 e presidente desde 2022, iniciou um plano para colocar um representante brasileiro na cúpula da UIT. A Anatel intensificou sua atuação em fóruns internacionais, e o Itamaraty o escolheu como candidato. Ele viajou para mais de 20 países em campanha e se diz confiante.
Concorrentes e plataforma de campanha
O brasileiro disputará o cargo contra concorrentes das Bahamas e do Bahrein, ambos funcionários de carreira da UIT. Baigorri se apresenta como "outsider" com uma plataforma de renovação, defendendo maior representatividade do Sul Global no quadro de funcionários e autonomia para escritórios regionais. Ele também cobra maior transparência no orçamento da instituição.
Sua plataforma inclui o reposicionamento estratégico da UIT para atuar no ambiente digital mais amplo, envolvendo inteligência artificial e cibersegurança. Outro ponto urgente é a elaboração de regras internacionais para megaconstelações de satélites em baixas órbitas, como as da Starlink, para evitar interferências e colisões, pois "o lado regulatório não acompanhou a velocidade do mercado".
Carlos Baigorri deixará a presidência da Anatel em 4 de novembro. A eleição ocorrerá em Doha, no Catar, com abertura da conferência no dia 11. A aprovação requer maioria simples dos votos dos 194 países membros, com peso igualitário.



