Economia & PolíticaRelevância BR: 9/10

Brasil: Minerais críticos abrem portas, mas alto custo de gás limita agregação de valor

08 de novembro de 2026
Brasil: Minerais críticos abrem portas, mas alto custo de gás limita agregação de valor

Destaques

  • •Nova política nacional para minerais críticos e estratégicos surge como oportunidade para o setor mineral brasileiro.
  • •O alto custo do gás natural no Brasil, comparado a mercados internacionais, é o principal entrave para a agregação de valor na produção mineral, como pelotização e redução direta.
  • •O Brasil busca acordos com EUA, Europa e Japão para fornecer terras raras em estado bruto, visando gradualmente trazer a industrialização para o território nacional.

A política nacional para minerais críticos e estratégicos abre novas perspectivas para o setor mineral brasileiro, mas desafios estruturais, especialmente o alto custo do gás natural, limitam a capacidade do país de agregar valor à sua produção. A avaliação é de José Carlos Martins, da Cedro Participações, em entrevista ao programa Mapa da Mina.

Martins destacou que o minério de ferro de alta qualidade, conhecido como “minério verde”, foi incluído na nova legislação como mineral crítico. Segundo ele, isso representa um avanço significativo, pois “os minérios de maior qualidade é a melhor ferramenta que a siderurgia dispõe para reduzir suas emissões”. Ele ponderou, no entanto, que uma transformação radical na siderurgia para deixar de emitir carbono levaria entre 50 e 70 anos.

Entraves para pelotização no Brasil

Ao ser questionado sobre a viabilidade de investimentos em pelotização, briquetagem e redução direta no Brasil, Martins reconheceu o potencial do país, mas foi enfático quanto ao principal entrave: o preço do gás natural. “Infelizmente, por razões do conhecimento geral, nós nunca conseguimos ter um gás no Brasil a um preço competitivo”, disse.

Ele relembrou que, durante sua passagem pela siderurgia, uma pelotizadora foi construída no Oriente Médio porque lá o gás custava US$ 1,50 por milhão de BTU, enquanto no Brasil o preço chegava a US$ 12. Atualmente, o mercado internacional pratica entre US$ 4 e US$ 5 por milhão de BTU, enquanto o Brasil segue cobrando US$ 12, e o Oriente Médio pode oferecer valores abaixo de US$ 1.

Martins lembrou ainda que o Brasil já operou duas plantas de redução direta — uma na Bahia e outra no Rio Grande do Sul —, ambas posteriormente paralisadas. Para ele, “algumas metas de agregar valor não podem ser apenas uma ideia, elas têm que estar suportadas” pelas condições necessárias.

Terras raras e a dependência da China

No campo das terras raras, Martins apontou que o principal obstáculo não é a falta de reservas — o Brasil está bem dotado nesse aspecto —, mas sim a tecnologia de processamento, dominada atualmente pela China. “Os Estados Unidos não domina, a Europa não domina, ficaram para trás nesse ponto”, afirmou.

Ele explicou que o domínio chinês não foi resultado de uma estratégia deliberada de conquista de mercado, mas de uma escolha do Ocidente, que considerava a atividade altamente poluente e a deixou para a China. Hoje, segundo Martins, 70% das terras raras do mundo são consumidas na China, e o restante do mundo precisa comprar do país asiático.

Avanço gradual e acordos internacionais

Diante desse cenário, Martins defendeu uma abordagem gradual para o Brasil. “A melhor maneira é você começar exportando e, aos poucos, ir trazendo a vantagem para o Brasil”, disse.

Na sua visão, o país deve aproveitar o momento em que o mundo busca alternativas à China para firmar acordos com Estados Unidos, Europa e Japão, fornecendo terras raras em estado bruto enquanto, progressivamente, traz a industrialização para o território nacional. “Não é um ato de vontade, não é uma lei que vai mudar essa situação. O mercado vai orientar a melhor maneira de chegar nesse ponto”, concluiu.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas

Brasil: Minerais críticos abrem portas, mas alto custo de gás limita agregação de valor | AINewz | AINewz — Inteligência de Notícias