Binance: Saques retomados após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões

Destaques
- •A Binance retomou gradualmente os saques de criptomoedas após um ataque hacker que resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões.
- •A corretora informou ter coberto cerca de 95% dos fundos afetados com recursos próprios e que os clientes não arcarão com as perdas.
- •O FBI atribuiu o ataque ao grupo hacker norte-coreano TraderTraitor, ligado ao governo da Coreia do Norte.
A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, retomou gradualmente os saques neste domingo, 1º de novembro de 2026, após um ataque hacker que resultou no roubo de aproximadamente US$ 6,3 bilhões. A plataforma havia suspendido os serviços de retirada na quinta-feira (29) para investigar a invasão e reforçar seus sistemas de segurança. A empresa informou que cobriu cerca de 95% dos fundos afetados com recursos próprios, garantindo que os clientes não arcarão com as perdas. Os 5% restantes referem-se a moedas de menor liquidez, cuja aquisição em larga escala está em andamento. O FBI atribuiu o ataque ao grupo hacker norte-coreano TraderTraitor, ligado ao governo da Coreia do Norte, em um dos maiores roubos da história do setor de criptoativos.
Retomada gradual e cobertura de perdas
A primeira fase de reabertura dos saques incluiu 15 redes, com prioridade para ativos de maior demanda e liquidez, como Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH), USDT e USDC. A Binance afirmou que os saques foram retomados entre 6h e 9h UTC, com a expectativa de estabilização dos volumes. A corretora comunicou que, nas primeiras horas após a reabertura, registrou saídas líquidas de cerca de US$ 3,64 bilhões (US$ 4,649 bilhões em retiradas e US$ 1,01 bilhão em depósitos), o que representa 2,1% dos ativos totais sob gestão. A empresa também destacou que os depósitos nunca foram interrompidos e que os saldos em moedas como BTC, ETH, USDT, BNB, SOL e XRP estão 100% garantidos.
Investigação e atribuição do ataque
As investigações preliminares indicam que o ataque pode ter explorado uma vulnerabilidade em um laptop de um engenheiro da Binance, permitindo o acesso não autorizado a sistemas e a realização de saques em cerca de 20 minutos. Empresas de análise de blockchain como TRM Labs e Chainalysis confirmaram a ligação do ataque com a Coreia do Norte, citando semelhanças com roubos anteriores. O FBI formalizou a acusação, identificando o grupo TraderTraitor como o responsável, e destacou que os criminosos já começaram a converter parte dos fundos roubados em Ethereum para possíveis operações de lavagem de dinheiro. A Binance declarou estar colaborando com autoridades e empresas de análise para rastrear os ativos e impedir sua movimentação.
Próximos passos e impacto no mercado
A Binance informou que continuará testando as redes e ativos restantes, com planos de compartilhar detalhes sobre a próxima fase de recuperação assim que possível. A empresa também planeja publicar a verificação criptográfica completa de sua prova de reservas em 3 de novembro. O episódio reacendeu o debate sobre a segurança das plataformas centralizadas de criptomoedas e a vulnerabilidade dos ativos digitais a ataques cibernéticos. Apesar da magnitude do roubo, analistas consideram que a confiança dos clientes se manteve em grande parte intacta, dado o percentual relativamente modesto de saques em relação aos ativos totais da plataforma.



