BC sinaliza corte na Selic, mas guerra no Oriente Médio pode esfriar ânimos

Destaques
- •Banco Central mantém perspectiva de "calibragem" da Selic este mês.
- •Conflito entre EUA e Irã eleva incertezas e pode moderar o tamanho do corte.
- •Alta do petróleo pode gerar R$ 21,4 bilhões extras em receita para o governo.
Ainda que o Banco Central tenha sinalizado para janeiro uma intenção de "calibrar" a taxa Selic, o diretor de Política Monetária, Nilton David, reforçou nesta quinta-feira que essa perspectiva segue válida para este mês.
A grande dúvida no mercado agora é sobre a intensidade desse corte. A escalada do conflito entre EUA e Irã adicionou uma camada extra de incerteza global, fazendo com que apostas em um corte mais agressivo de 50 pontos-base diminuíssem, enquanto as de 25 pontos-base ganharam força.
O BC, por sua vez, afirma que "não reage a ruídos" e compara a condução da política monetária a "pilotar um petroleiro", com um horizonte de 18 meses.
A XP Investimentos alerta que essa tensão global e a consequente alta nos preços do petróleo podem impactar a economia brasileira, apesar de também poderem gerar uma receita adicional de R$ 21,4 bilhões para o governo neste ano. A corretora pondera que, caso o petróleo suba mais forte, o BC pode optar por um corte inicial mais moderado, de 0,25 p.p., em vez dos 0,50 p.p. esperados anteriormente.
Ainda assim, a XP manteve a projeção de câmbio em R$ 5,60 por dólar no fim de 2026, e para o PIB em 2% no mesmo ano, mas os riscos fiscais e políticos, especialmente com a proximidade das eleições, seguem no radar. 📉



