Baterias de carros elétricos e híbridos: ciclo de vida e reciclagem no Brasil

Destaques
- •Baterias de veículos elétricos e híbridos não se tornam lixo após o uso, passando por diagnóstico, reparo, segunda vida e reciclagem.
- •A segunda vida permite o reaproveitamento em sistemas estacionários de armazenamento de energia, como os associados à geração solar e eólica.
- •O Brasil tem a oportunidade de desenvolver infraestrutura e capacidade industrial para o ciclo completo das baterias, acompanhando o crescimento da frota de eletrificados.
A crescente presença de carros elétricos e híbridos no Brasil levanta a questão sobre o destino de suas baterias após anos de uso. Contrariando um mito comum, essas baterias não se tornam lixo, mas sim passam por um ciclo que envolve diagnóstico, reparação, possível reaproveitamento em novas aplicações e, por fim, reciclagem. A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) destaca que a bateria de um veículo eletrificado sofre uma degradação gradual, mas não para de funcionar abruptamente.
Carlos Roma, diretor técnico da ABVE, explica que mesmo quando a bateria não atende mais aos requisitos automotivos, seu estado de saúde deve ser avaliado para determinar a melhor destinação. Nos veículos 100% elétricos (BEV), a bateria de tração é maior, enquanto nos híbridos plug-in (PHEV) ela permite rodar distâncias elétricas. Já os híbridos convencionais (HEV) usam baterias menores, recarregadas pela regeneração de energia.
Diagnóstico e Segunda Vida das Baterias
O primeiro passo ao notar redução de desempenho é uma avaliação técnica por meio de sistemas modernos de gerenciamento de bateria (BMS). Esses sistemas monitoram parâmetros como temperatura e tensão. Dependendo do diagnóstico, pode ser necessário apenas intervir em módulos específicos, e não em todo o conjunto. Quando a bateria não é mais adequada para o veículo, surge a possibilidade da "segunda vida".
Nessa fase, baterias retiradas de carros podem ser utilizadas em sistemas estacionários de armazenamento de energia, como os associados à geração solar e eólica. Nesses casos, peso e volume deixam de ser fatores limitantes, e a bateria pode armazenar eletricidade para uso posterior, prolongando seu aproveitamento e adiando a reciclagem.
Reciclagem e Economia Circular
Quando a bateria não tem mais condições para novas aplicações, ela segue para reciclagem. Por conterem componentes que exigem tratamento especializado, não podem ser descartadas como resíduos comuns. O processo inclui coleta, transporte seguro, descarga e desmontagem. Materiais como aço, alumínio, cobre e plásticos são separados. As células passam por tratamentos específicos, que podem gerar a "massa negra", concentrando componentes para recuperação de matérias-primas.
Elementos como lítio, níquel, cobalto e manganês, além de cobre e alumínio, podem ser recuperados. A reciclagem é estratégica para a economia circular, transformando baterias usadas em fonte secundária de matérias-primas. Tecnologias como processos pirometalúrgicos (altas temperaturas) e hidrometalúrgicos (químicos) buscam aumentar os índices de recuperação e reinserir materiais nas cadeias industriais.
Tecnologias e o Cenário Brasileiro
As baterias mais comuns no mercado são as NMC (níquel, manganês e cobalto) e LFP (lítio-ferro-fosfato), com composições e processos de reciclagem distintos, que também influenciam o valor dos materiais recuperados. O crescimento da frota de eletrificados no Brasil cria uma oportunidade para o país desenvolver infraestrutura e capacidade industrial para atender à demanda futura.
A ABVE ressalta que construir uma eletromobilidade sustentável envolve olhar para todo o ciclo das baterias, desenvolvendo uma cadeia capaz de aproveitar seus componentes antes, durante e depois de sua utilização. A marca de 1 milhão de unidades de carros eletrificados já foi atingida no país.
Matérias originais
- Para onde vão as baterias de elétricos após o fim da vida útil? · cnnbrasil.com.br


