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Atividade física preserva volume cerebral em idosos, aponta revisão

01 de novembro de 2026
Atividade física preserva volume cerebral em idosos, aponta revisão

Destaques

  • •Revisão sistemática com quase 2.700 idosos associa mais atividade física a maior volume cerebral.
  • •Hipocampo, crucial para memória, e substância branca mostram preservação em idosos ativos.
  • •Estudo reforça importância do exercício para prevenir declínio cognitivo e demências.

Idosos que praticam mais atividade física apresentam maior volume cerebral, especialmente em áreas ligadas à memória, cognição e raciocínio. A conclusão é de uma revisão sistemática publicada no Journal of Aging and Physical Activity, que analisou dados de quase 2.700 pessoas com 60 anos ou mais. O estudo reforça a importância do exercício na prevenção do declínio cognitivo e de demências.

A pesquisa, realizada por Sara Oliveira Dias de Lucena, bolsista da FAPESP, e orientada por Lucas Melo Neves, professor da Unesp de Rio Claro, compilou informações de 19 estudos observacionais. Ao todo, foram analisadas 76 estruturas e regiões cerebrais em 2.684 participantes com idade média de 70 anos. O nível de atividade física foi avaliado por questionários ou acelerômetros, e o volume cerebral medido por ressonância magnética.

Cérebro mais preservado com movimento

Os pesquisadores constataram que idosos mais ativos apresentavam maior volume total do cérebro e em diversas regiões importantes para a cognição, incluindo o hipocampo. Essa estrutura é essencial para a formação de novas memórias e é uma das primeiras a sofrer atrofia com o avanço da idade e em doenças como o Alzheimer.

Lucas Melo Neves explica que, embora o envelhecimento natural leve a uma redução progressiva do volume cerebral a partir da meia-idade, essa perda pode ser atenuada. “A população faz uma associação muito clara entre exercício físico e hipertrofia muscular. O que nosso estudo sugere é que podemos começar a enxergar algo semelhante em relação ao cérebro: quanto mais atividade física, mais o cérebro fica preservado”, afirma.

Impacto em áreas chave

Em alguns dos estudos revisados, idosos que atingiam a recomendação mínima de atividade física da Organização Mundial da Saúde (OMS) – cerca de 150 minutos semanais – apresentavam hipocampo entre 7% e 10% maior do que seus pares menos ativos. Segundo Neves, essa diferença é clinicamente significativa, pois um hipocampo mais preservado está associado a melhor desempenho de memória e a uma maior reserva cognitiva.

A substância branca, responsável pela comunicação entre diferentes áreas do cérebro, também se mostrou mais preservada em pessoas mais ativas. Alterações nessa rede de conexões estão ligadas à lentificação do pensamento e a dificuldades executivas. Manter essa rede íntegra pode contribuir para um processamento de informações mais ágil ao longo do envelhecimento.

Mecanismos e próximos passos

Os mecanismos por trás dessa relação incluem a estimulação da produção de fatores neurotróficos, como o BDNF, que favorecem a sobrevivência e plasticidade dos neurônios. Além disso, o exercício melhora o fluxo sanguíneo cerebral, estimula a formação de novos vasos e pode reduzir processos inflamatórios crônicos.

Neves ressalta que os estudos analisados são observacionais, o que impede a afirmação de causalidade direta. Para superar essa limitação, os autores planejam uma nova revisão focada em estudos de intervenção. “Ainda assim a mensagem é clara: movimentar-se regularmente está associado a um cérebro mais saudável na velhice. E em um contexto de envelhecimento populacional e aumento da prevalência de demências, estratégias de prevenção são cada vez mais necessárias”, conclui.

O que diz a pesquisa

Uma revisão sistemática publicada no Journal of Aging and Physical Activity em 2026 analisou 19 estudos observacionais com um total de 2.684 idosos (idade média de 70 anos) para investigar a associação entre atividade física e o volume de diferentes regiões cerebrais. O estudo encontrou uma associação consistente entre níveis mais elevados de atividade física e um cérebro estruturalmente mais preservado, incluindo maior volume total do cérebro, do hipocampo e da substância branca.

Os resultados indicam que a atividade física pode ajudar a prevenir e atenuar a redução do volume cerebral associada ao envelhecimento, o que representa um fator de risco para o desenvolvimento de demência. A pesquisa reforça a importância do exercício como estratégia de prevenção do declínio cognitivo.

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