Astella prepara sexto fundo com foco em startups de IA e vendas

Destaques
- •Gestora Astella planeja novo fundo de R$ 300 a R$ 400 milhões, com foco em empresas de inteligência artificial.
- •Edson Rigonatti, da Astella, aponta a falta de conhecimento em vendas como um gargalo para o crescimento de startups brasileiras.
- •O novo fundo da Astella priorizará empresas nativas em IA, com modelos de negócio focados em resultados e análise de custos de tokens.
A gestora de venture capital Astella está se preparando para lançar seu sexto fundo, com previsão de captação entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões. O novo fundo manterá a tese de investimento em empresas em estágio inicial, do pré-Seed à Série A, com foco especial em negócios que utilizam inteligência artificial (IA) como base de suas operações.
A decisão de intensificar o foco em IA reflete a percepção de que as empresas que nascem em 2025 e 2026 já incorporam a tecnologia em seu centro, com infraestrutura em nuvem e uma abordagem "AI-first". A Astella pretende investir em cerca de 15 a 20 startups, com cheques entre US$ 3 milhões e US$ 4 milhões para rodadas Seed, e entre US$ 5 milhões e US$ 7 milhões para Série A.
O gargalo das vendas em startups brasileiras
Edson Rigonatti, sócio-fundador da Astella, destacou durante o evento AI Salon, no Rio de Janeiro, que um dos principais obstáculos para o crescimento acelerado das startups brasileiras é a falta de conhecimento técnico em vendas.
Segundo Rigonatti, fundos internacionais de venture capital esperam um ritmo de crescimento similar ao das empresas americanas, que muitas vezes atingem centenas de milhões em receita em poucos anos. A ausência de uma "ciência das vendas" nas startups brasileiras, com métricas claras e análise aprofundada do funil, impede que elas acessem o grosso do capital em rodadas mais avançadas, como a Série B.
Ele comparou a abordagem americana, onde vendas são tratadas como uma ciência com métricas e ferramentas específicas, com a realidade brasileira. Apesar disso, Rigonatti citou exemplos de sucesso como Omie, Resultados Digitais e Sallve, que desenvolveram formas proprietárias de gerar demanda.
Inteligência Artificial e os novos desafios
A estratégia do sexto fundo da Astella incorporará com mais intensidade as mudanças trazidas pela IA. A gestora já investiu em empresas "AI-native" com seu quinto fundo e agora visa ter 100% do novo portfólio voltado para essa área, com atenção a três frentes: software nativo em IA, venda de serviços com IA e "embedded finance".
A diferenciação de empresas genuinamente nativas em IA se dará pela entrega de resultados e tarefas, e não apenas pela venda de licenças ou assinaturas. Rigonatti ressaltou que, apesar das novas possibilidades, a IA não necessariamente barateou o empreendedorismo.
Um dos novos desafios é o custo de inferência, associado ao consumo de "tokens" (unidades de processamento de IA). É crucial que os empreendedores entendam o custo de tokens por análise ou serviço e como isso afeta a margem bruta e outras métricas financeiras do negócio, demonstrando um real entendimento do papel da IA na economia da empresa.
Matérias originais
- “Startups brasileiras precisam aprender a vender”, diz Edson, da Astella · infomoney.com.br



