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Arqueólogos descobrem uso psicoativo de cannabis há quase 2.800 anos na Sibéria

06 de novembro de 2026
Arqueólogos descobrem uso psicoativo de cannabis há quase 2.800 anos na Sibéria

Destaques

  • •Evidências químicas em fio de cabelo humano e sementes de cannabis em túmulo siberiano indicam o uso psicoativo da planta há quase 2.800 anos.
  • •A descoberta, publicada na revista Science, supera em 300 anos o registro anterior mais antigo de uso psicoativo.
  • •O achado sugere que a cannabis pode ter sido utilizada em rituais funerários ou sacrifícios pelos nômades citas.

Arqueólogos encontraram na Sibéria a evidência mais antiga do consumo de cannabis com fins psicoativos, datada de aproximadamente 790 a.C. A descoberta, localizada em um túmulo de cerca de 2.800 anos na região de Tunnug 1, no extremo sul da Sibéria, revela o uso da planta pelos nômades citas, um povo de origem iraniana que dominou as planícies da Eurásia entre os séculos 9 a.C. e 3 d.C.

A sepultura, que pertenceu a membros de alto escalão da sociedade cita, continha quase mil sementes da planta e um fio de cabelo humano preservado. Análises químicas no fio de cabelo revelaram a presença de canabinol, um composto formado pela oxidação do THC (tetrahidrocanabinol), o principal princípio psicoativo da cannabis, além de vestígios do próprio THC. Essa assinatura química indica que o indivíduo sentiu os efeitos psicoativos da planta.

O que foi encontrado no túmulo

O túmulo, parte de um teso funerário (pequeno morro artificial para a aristocracia), abrigava também dezenas de cavalos sacrificados e alguns ossos humanos. Entre os artefatos, foram encontradas cerca de mil sementes de cannabis, depositadas ali por volta de 790 a.C. As sementes eram semelhantes às da cannabis selvagem, sugerindo que a planta foi coletada localmente na Ásia Central, onde cresce naturalmente.

A presença das sementes, por si só, não comprovaria o uso psicoativo. No entanto, um fio de cabelo humano, resistente à decomposição, serviu como um registro químico. Substâncias circulantes no corpo ficam retidas nas estruturas do cabelo, fornecendo um histórico químico mesmo após a morte. A análise desse fio foi crucial para a descoberta.

Uso psicoativo e rituais funerários

As conclusões sobre o uso psicoativo da cannabis foram publicadas na revista Science. Até então, as evidências mais antigas de uso psicoativo datavam de 2.500 anos atrás, com vestígios químicos encontrados em braseiros de madeira na China. A nova descoberta, portanto, adianta em 300 anos o registro mais antigo.

Os pesquisadores levantam a hipótese de que o uso da cannabis estivesse ligado a rituais funerários ou práticas de sacrifício humano. "Se você pretende sacrificar um ser humano, talvez seja mais fácil não ter tanta resistência. E a cannabis poderia ser usada para sedar as pessoas", explicou Gino Caspari, um dos arqueólogos envolvidos, à New Scientist. Não é possível determinar se a planta foi fumada ou se as sementes foram ingeridas.

História milenar da cannabis

É importante ressaltar que este achado se refere especificamente ao uso psicoativo. A relação da humanidade com a cannabis é muito mais antiga, com evidências de cultivo para fins agrícolas há pelo menos 12 mil anos na China, para a obtenção de óleo e fibra de cânhamo. O uso da planta para fins medicinais ou recreativos, no entanto, tem uma história mais recente e complexa, com debates contínuos sobre seus benefícios e riscos.

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